Índia

Índia 2017-07-07T12:11:29+00:00

Simplesmente Índia

04/12 – Ainda na Turquia, saímos da casa da Deniz, as 17:30 rumo ao aeroporto. Adeus casal, certeza que voltaremos para a Turquia, pois amamos demais esse país. Lindo lugar e lindas pessoas. Quanto amor! Pedalamos 30 km, chegamos na hora certinha, fizemos o check-in despachamos as bikes, deu o peso exato e nem precisou pagar excesso de bagagem, wow! Descobrimos assim o quanto de peso carregamos: em torno de 40 kg cada um, incluindo as bicicletas. Fizemos uma conexão em Dubai, na Arábia Saudita e depois seguimos para a Índia.

05/12 – Niver da minha mãe querida e amada, Dona Mary! Te amo! Chegamos as 06:00h e tivemos que esperar até as 13:30h para pegar o voo para a Índia. No aeroporto vimos pessoas totalmente diferentes. Árabes com aquelas roupas típicas que só víamos em festa a fantasia, muitos indianos, pessoas que eu não sei nem dizer o que são exatamente. Foi legal ficar observando eles e esperando o tempo passar. Embarcamos para Índia. Chegamos lá as 17:30. Fomos adquirir o visto e depois montar nossas bikes. Nessa treta já demorou umas 2 horas. Fomos então enfrentar o temido transito indiano. De cara vimos que os motoristas ficam do lado direito, igual na Inglaterra, então tivemos que mudar o lado de pedalar  e com isso o retrovisor ficou do outro lado. Quando pegamos uma avenida movimentada, minha nossa. Aqui é o seguinte: se um esta certo ele buzina, se o outro esta errado ele buzina mais ainda. Não existe regra, não existe preferencia. É um desviando do outro o tempo todo. Loucura é uma palavra fraca para resumir esse transito. Ficamos muito assustados. Atravessamos a rua e de repente aquele barulho infernal parou. Encontramos diversos macacos sendo alimentados por um rapaz. Ficamos babando nos movimentos dos macacos. Que gracinha, viu. O mais massa é quando tem um macaco bebê nas costas na mãe, é muito lindo.

Tínhamos visto pelo google maps uns hostels. Fomos em direção a eles, entramos num bairro onde tinham as embaixadas, só achamos hotel de luxo extremo. Nem ousamos perguntar o preço. Pedalamos, pedalamos e nada de achar lugar pra ficar.  Nossa ultima refeição tinha sido 12:00h, estávamos roxos de fome. Avistamos uma Pizza Hut, chegando lá, estava fechando, putz! Por causa do fuso horário, nos perdemos no tempo, quando vimos já era 23:00h da noite e a gente perdido em Nova Delhi. Perguntamos para um rapaz onde tinha um hotel para ficar ali perto. Ele nos levou para um beco escuro e estranho. Nos mostrou a guest house. Era bem humildezinha, o quarto era um barraco la na lage. Estava limpinho, era o que precisávamos. Já não tinha mais nada aberto para comer. Tínhamos uns pães daqueles de fazer wrap e um queijo polenguinho. Foi o que comemos para dormir. Capotamos!

06/12 – Acordamos tarde, dormimos que nem pedra. Nossa, foi bom. Decidimos ficar mais um dia para se preparar para a pedalada. Fomos dar um rolé na cidade. Muita coisa diferente acontece o tempo todo. Tem muito movimento muita gente, muito tuc tuc, muita comida de rua. Não demorou muito para chegar um cara e se oferecer para nos levar a uma agencia de turismo. Dissemos que não precisava, pois estávamos apenas dando um rolé. Não adianta falar que não, eles começam a insistir. Fomos firmes e ele foi embora, ufa! Os produtos indianos são os mais lindos, decoraria minha casa toda só com eles. Pela primeira vez na viagem fiquei com vontade de dar uma bela consumida.

Pela tarde, o Thiago foi regular os freios das bikes, ficamos lá no pátio da guest, fui subir para o quarto, quando olho, tem um puta macaco na escada me olhando, quase esbarrei nele, levei mó susto. Antes do sol se pôr sempre aparece um grupo de macacos. É muito massa ficar olhando para eles. Garanto que em qualquer hotel de luxo não teria um show de macacos que presenciamos.

Começamos a perceber que pedalar na Índia seria um grande desafio. Amanhã o pedal começa.

07/12 – Acordamos cedinho, refletimos e amarelamos. Decidimos ir procurar alguma agencia de viagens para nos dar uma orientada para o nosso caminho, tinha uma pertinho da guest. Quando perguntamos para eles qual seria a melhor rota para pedalar, eles disseram que nenhuma, que é muito perigoso pedalar por ali, abriram uma matéria na internet e mostraram que no ano passado um casal de cicloviajantes foi assassinado. A gente ficou com receio deles estarem dizendo aquilo somente para poder nos vender algum pacote de viagens. Juntou o nosso medo com o que eles nos falaram, seguimos nosso coração e decidimos que não iriamos pedalar pela Índia. Pagamos para eles fazerem um roteiro para irmos de trem para alguns lugares importantes. Os destinos foram: Agra, onde tem o Taj Mahal e Varanasi, onde tem o Rio Ganges.

08/12 – Acordamos cedão. Deixamos todas nossas coisas na agencia. Tivemos que dormir com um cobertor áspero, poeirento e com cheiro de oficina mecânica, me deu alergia na hora, acordei com a garganta ferrada. Pegamos um tuc tuc ainda de noite. Andar de tuc tuc é a coisa mais emocionante que rola, é tipo uma montanha russa. Chegamos na estação de trem, achamos o lugar e sentimos um cheiro tenebroso. Os trens depositam as fezes e urina dos passageiros ali mesmo no trilho. Para todos os lados tinha cocô, e ainda varias pessoas cruzam o trilho por baixo para não ter que ir ate a passarela. A viagem de trem foi tranquila, vimos muita miséria pelo caminho, muito, muito lixo. É como se ao invés de ter grama tivesse lixo. Muita gente cagando na rua. Assim, eles não cagam em qualquer lugar, mas perto do trilho do trem, como fica mais afastado, fica lotado de gente cagando o tempo todo. E no mesmo local, crianças brincam. Os únicos lugares que vimos que era bom para diocampar era em áreas particulares, ou seja, cercadas. Ficamos aliviados pela nossa decisão, realmente ali não seria um bom lugar para pedalar.

Chegamos em Agra. A cidade é grandinha, mesmos acontecimentos que em Nova Delhi. Ficamos num hotel meio sujinho, mas confortável. Demos uma dormida pela tarde e caminhamos até o Taj Mahal. Chegando lá, estava fechado. Tudo o que a gente queria, era poder caminhar e observar as coisas. Mas o tempo todo as pessoas ficam oferecendo serviços e coisas, é muito perturbador. Eles não respeitam seu espaço. Toda hora tínhamos que interromper nosso papo, porque aparecia alguém. A gente não tinha tempo nem para discutir as coisas que víamos. E eles te abordam de uma maneira que você fica sem jeito. Começam a conversar, ficam perguntando coisas, aí você vai respondendo, quando vê esta preso no cara. É muito estranho. Não gosto disso não!

09/12 – Tomamos nosso café-com-medo, rezando para que tudo ali estivesse limpo. Antes de chegar no quarto passamos pela cozinha. Parecia cozinha de cadeia, imunda. Gente, nós temos esse medo todo, porque o Arthur simões, que deu a volta ao mundo de bike, foi pra Índia, comeu a comida de um hotel, passou mal, ficou doente e internado durante 1 mês, foi uma experiência horrível. Ele achou que tivesse morrendo. Sem contar que ele tinha plano de saúde, nós não temos, então todo cuidado é pouco. Não é frescura, acreditem. Fomos para o Taj Mahal, pensa num lugar deslumbrante, é uma beleza sem fim. A história já é muito linda né, o imperador Shan Jahan mandou construir o Taj Mahal em homenagem a sua esposa Aryumand Banu Begam, que faleceu dando luz ao seu quarto filho. Ele a chamava de A Jóia do palácio. O Taj foi construído sobre seu túmulo. O Taj Mahal é conhecido como a maior prova de amor do mundo. Pensa numa mulher que foi amada.

Eu estava lá com o Thiago sentada de boa, apareceu um indiano com toda a delicadeza do mundo e perguntou se poderia tirar uma foto comigo. Pedindo assim, eu deixo. Mais tarde veio uma garota e também pediu para tirar foto com ela. Depois veio outra, e outra, quando eu vi juntou várias pessoas para tirar foto comigo. Fiquei com mó vergonha, mas foi interessante. Elas me acham muito diferente, assim como elas são diferentes para mim. Passamos a tarde toda no Taj, foi muito bom.

Fomos para a estação de trem, pois íamos passar a noite num trem. Chegando na estação, tinha uns 3 mil pássaros na cobertura, ou seja, toda hora caia cocôzinho na gente. Mas o pior eram os ratos por todos os lugares. Vi uma cena que me chocou bastante: tinha uma família esperando o trem e eles tem o costume de deitar no chão em cima de uma manta, sim, naquele chão cheio de cocô, de rato e de cuspidas (eles ficam mastigando tabaco o tempo todo e cuspindo), tinha uma menina de uns 3 anos, ela tava deitada com a família, só que do lado de fora da manta, com o rosto direto naquele chão. A mãe tava de boa na manta. Tenso!

O trem chegou, e a gente grilado com a estado dele. Achamos nossos lugares, tinham pequenas camas com lençóis lacrados, limpos e cheirosos, dormir com o balançar do trem foi uma delícia! Rumo a Varanasi.

10/12 – Erramos a parada, ninguém avisa qual é a parada, é bem complicado pegar trem na Índia, tanto é que você não vê turista. Pegamos um trem de volta. Chegamos em Varanasi. Pegamos um tuc tuc, tinha um motorista e um outro rapaz que não parava de falar um minuto. Estava fazendo sua publicidade, dizendo que já levou fulano pra passear, estava nos oferecendo seus serviços de guia. Foi o caminho todo falando. O hotel era mais afastado, pagamos, agradecemos e o cara não parava de insistir. Queria porque queria nos levar pra passear. Disse para ele me dar seu telefone, que caso precisasse ligava pra ele, ufa, conseguimos entrar no hotel. Para a gente que não fala inglês, tem vezes que a gente não ta na vibe de conversar, primeiro porque você faz uma força danada para entender e outra que o inglês do indiano é bem complicado de entender, eles falam diferente. As vezes a gente não consegue entender nada, a gente avisa que não falamos inglês, para falarem um pouco mais devagar, mas não adianta.

Entramos no hotel, tivemos que tirar nossos tênis, opa é um bom sinal. Esse hotel era limpíssimo, cheiroso e agradável. Ficamos lá esse dia só descansando. Ah sim, depois de se alimentar somente com biscoito e bananas, tivemos a segurança de pedir um almoço nesse hotel. Estava delicioso.

11/12 – Dia de explorar Varanasi, a cidade onde fica o famoso e sagrado Rio Ganges! Primeiro fomos visitar a cidade sagrada dos budistas, Sarnath: é uma cidade localizada a 13 km de Varanasi. Foi aqui onde Buda deu o seu primeiro sermão depois de ter criado o budismo. Esse lugar tem uma paz fora do comum. Foi um grande privilégio poder estar num lugar tão sagrado como esse. Vimos muitos monges meditando.

De Sarnath pegamos um tuc tuc para o Rio Gandes, o motora deixou a gente numa rua e nos apontou o caminho do rio. Essa é a rua mais movimentada que vimos, um comercio sem fim. Muita gente, muita bicicleta, muita vaca, muita moto. Thiago subiu no muro que fica no meio das duas pistas e fez uma foto irada do caos absurdo desse lugar. Por incrível que pareça, nesse caminho louco até chegar no rio, tivemos um momento de paz, isso porque o movimento é tão sinistro que mal tem espaço para essa galera ficar nos oferecendo serviços. A galera do comercio foi de boa também.

Chegamos no Rio Ganges, tiramos fotos aqui, fotos ali. Pedi pro Thiago tirar uma foto minha numa espécie de palco circular de concreto, sentei na escada e logo apareceu um senhor de cabelos brancos, barba longa, traje laranja, me parecia ser um grande sábio, um guru. De uma forme bem gentil, nos chamou para sentar com ele. Adoramos a ideia e fomos. Ele pintou minha testa e da do Thiago, tiramos algumas fotos, trocamos algumas ideias, foi bem interessante. Disse para Thiago dar uma graninha pra ele como gratidão, Thiago colocou uma pequena quantia num pote, na mesma hora o “guru” fechou a cara, olhou feio para mim e disse: você também tem que pagar”. Ficamos bem decepcionados, aquela magia toda se encerrou naquele momento. Depois disso começamos a ficar bem ligados com qualquer um que se aproximasse da gente. Queria muito ter curtido uma vibe espiritual, mas não achamos o lugar nem a pessoa certa para isso. Logo depois, surge um rapaz fala: namastê e estende a mão para o Thiago, ele aperta a mão do rapaz, nisso ele começa  massagear a mão de Thiago, aí passou para os braços, o Thiago ficou naquela situação palha, quando deu uma brecha ele agradeceu e tirou o braço, só que o rapaz ficou em cima oferecendo seu serviço de massagem. Aí a gente tenta ser o mais educado possível, mas eles ficam nos seguindo enchendo o saco. Isso já estava nos deixando irritados. Tudo o que queríamos era poder caminhar na beira do Rio Ganges, mas isso passa a ser a coisa mais difícil que rola. Fomos caminhando em direção a menos movimento possível. Sem saber estávamos indo em direção ao temido local onde fazem a cerimonia de cremação os corpos dos hinduístas, depois da morte. Numa certa parte do Rio Ganges todos os dias, o tempo todo, corpos são cremados e suas cinzas lançadas no Rio Sagrado. Esse é o maior desejo de um hinduísta para a sua morte. Quando chegamos no Ganges, vimos que ele é bem grande, decidimos ir andando pelas escadas e observar os acontecimentos. De repente, vi uma cena que meus olhos jamais viram nada igual. Assim do nada, encontramos sem querer o local onde os corpos são cremados. São várias fogueiras grandes e pilhas gigantes de lenha, cercados por prédios fúnebres. Minha primeira atitude foi pegar a câmera, mas um rapaz disse que não podia tirar foto e que deveríamos respeitar as famílias e turistas não devem ficar ali e que poderíamos ver a cerimonia dali, nos apontou o prédio. Fomos em direção a ele, que era mais assustador do que tudo ali. Meu coração começou a disparar e eu subindo as escadas ainda estava na dúvida se deveria ou não ver aquilo. O prédio era abandonado e tinha um monte de pessoas estranhas. Eu não sabia se estava mais com medo de ver os corpos sendo queimados ou das pessoas. Então eu vi a cena, não demorou para vir um pedir dinheiro de um lado e outro exigindo dinheiro do outro lado. Pois durante um momento, eu não ouvia mais nada, meu olhos vidraram naquela cena forte. Parecia que eu estava vendo um filme, vimos tudo de camarote, a fumaça dos corpos chega ardia nossos rostos. Os corpos chegam numa espécie de maca de bambu, são banhados no rio sagrado, retiram a manta, colocam sobre a fogueira, colocam mais lenha em cima do corpo embrulhado com um pano branco e ateiam fogo. É diferente para a gente mas essa cerimonia existe há muito tempo. Não quis tirar foto, pois aquela imagem vai ficar em nossa memória para sempre. O interessante é que não estávamos atrás, parece que algo nos levou até lá, foi certeiro.

A noite, às margens do Rio Ganges é assim: todos os dias tem diversas cerimônias do Hinduísmo. Fica lotado de gente. É muito bonito. É nessa hora que vemos alegria nos olhos dos indianos. Essa é a hora deles. Sua cultura é muito rica. Independente de tudo o que presenciamos, é um país sem igual. Ainda estou atrás da palavra perfeita para me referir a Índia. Gente, não tem como eu explicar só vindo aqui para saber. Eu e minha amiga Debs que esteve na Índia em outubro, ficamos conversando muito sobre a Índia, é assunto que não acaba nunca. Foi muito importante para nós estarmos aqui. A Índia mexe com você de uma forma muito intensa.

12/12 – Íamos sair, mas ficamos esperando na recepção do hotel até dar a hora de pegar o trem para voltar para Nova Delhi. Pegamos um tuc tuc e fomos para a estação, que ficava meio longe. Chegamos lá esperando pela zeleza do lugar, mas quando vimos a estação era toda bonitinha, mais limpa, sem ratos nem fezes por todo lado. Aqui rola isso também, as vezes você espera pelo pior e as coisas te surpreendem. Entramos no trem, camas suspensas com lençóis limpos, mais uma noite gostosa de sono. Ai gente, dormir no trem é muito gostoso. Foi ótimo, porque tivemos um contato com os indianos que não estão envolvidos no turismo.

 

13/12 – Chegamos em Delhi, achamos bem mais tranquila a cidade, depois de passar por Varanasi. A agencia de viagem não tinha arrumado ainda a passagem de ônibus para o Nepal, tivemos que passar mais uma noite na guest na lage. O cara da agencia tentou nos enrolar dizendo que só tinha ônibus para Kathmandu, na capital, sendo que tínhamos fechado de vir para Pokhara. Depois de uma boa reclamada básica, ele deu um jeito de nos colocar num ônibus e num certo ponto, trocar de ônibus até chegar em Pokhara. É preciso ficar bem ligado com qualquer tipo de negociação aqui na Índia. Não senti muita confiança neles não. Amanha sairemos cedinho para pegar o ônibus para o Nepal.

14/12 – Acordamos cedo, o taxista estava nos esperando. Detalhe que eles iam fazer a gente achar o local do ônibus sozinhos e pedalando, exigimos um taxi. O taxista se perdeu várias vezes, o local era no meio do nada, impossível de achar, a gente ia se lascar demais, fiquem atentos. Pegamos o ônibus zela-master para o Nepal. O ônibus era muito velho e muito sujo. Colocaram as bikes lá em cima no bagageiro. Nossos acentos eram os últimos. Já começa com um bebinho que tava sentado perto da gente. Ele mal conseguia andar, aí colocou a mala dele num acento e sentou no outro. Chegou um indiano para sentar, ao invés de reclamar que seu lugar estava ocupado, ele sentou todo torto. Gente, os indianos são muito da paz mesmo, esse dia eu comprovei isso. Fomos nós que pedimos para o bebo colocar a mala no colo e liberar espaço para o outro sentar, se não ele ia sentado torto daquele jeito.

Últimos acentos, ou seja, as poltronas não inclinam. A poltrona da mulher que estava na frente do Thiago estava quebrada e inclinava mais do que devia, Thiago ficou sem espaço nenhum para nada. Chegando na fronteira, o ônibus ficou parado umas duas horas para o povo almoçar, chegou um menininho pedindo dinheiro, a gente não deu, mas uma Russa, a Yana que viajava com a gente, deu. Aí o Thiago começou a brincar com ele, fingindo que ia pegar o dinheirinho dele. Pois ele parou, pegou uma moedinha e deu para o Thiago. Isso nos emocionou de uma forma muito forte. Que criança linda, gente. Com tanta pobreza, ele ainda tem a bondade de compartilhar o pouco dinheiro que tem. Que ato maravilhoso.

Resumindo a história: viajamos durante 40 horas sentados, num treme-treme sinistro, pois não existe amortecedor naquele ônibus há muito tempo, nos alimentando com biscoito somente. Chegamos na cidade onde íamos trocar de ônibus as 21:00h, e é claro que o pessoal da agencia não avisou nada para ninguém, mandou a gente ir, a gente que se vire. Conseguimos o ônibus, aí bota bike lá em cima de novo. O ônibus só foi sair as 03:00h da matina. Eu já estava me sentindo fraca de fome e sono. Enfim, chegamos em Pokhara as 06:00h da manhã debaixo de chuva. Não tinha nem lugar coberto para deixar as bagagens enquanto o Thiago pegava as bikes. Achamos uma guest house palha, fomos secos tomar banho, a agua estava gelada, não tinha agua quente, fomos dormir sujos. Eu só queria dormir. Capotamos!

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