Malásia

Malásia 2017-07-07T12:11:29+00:00

Malásia e a Boa Vontade dos Malaios.

10/02 – Chegamos as 4:00 da madruga na Malásia. Montamos as bikes e fomos rumo a Kuala Lumpur, a capital. Só não sabíamos que Kuala ficava a 80 km de onde estávamos. A gente crente que o aeroporto era na cidade, mas era muito longe dali. Sem dormir nada durante toda a madrugada, subimos nas bikes e fomos pedalar. Lembrei até da sensação que tinha quando ia para uma festa e ficava até de manhã. Bons tempos que tinha energia para isso. Depois de 25 km, encontramos um hotel para dormir, salgado o preço. O caminho até lá foi ótimo. A estrada é muito boa e com um acostamento bem grande. A vegetação é muito incrível, verdinha. Estamos loucos para explorar esse país. Ta prometendo. O calor daqui me lembra o calor do Rio.

11/02 – O segundo dia de pedal na Malásia foi muito gostoso. As estradas são impecáveis, com um acostamento enorme. Os motorista andam devagar e são totalmente respeitosos com os ciclistas, sempre dão preferencia para nós. Aqui parece até que não existe buzina. Nas estradas também tem várias motovias, isso mesmo, via exclusiva para motos. Seguimos por ela, paramos num posto para tomar banho e depois achamos um espaço verde lindo para dormir. Aliás, aqui na Malásia, 2/3 é de vegetação, ou seja 2/3 de diocamping. A noite foi tranquila e quente, mas muito quente, até tiramos a capa da barraca. Estamos seguindo rumo ao litoral, se afastando logo das grandes cidades. Acabou que decidimos nem passar pela capital.

12/02 – Seguimos rumo ao litoral. Entramos numa região muito linda. Cercada de palmeiras gigantes, cheia de macacos. Diversas casinhas lindas, cheia de sombras, quintais frescos e aconchegantes, flores de diversos tipos. Inclusive, é aqui que tem a maior flor do mundo, meu sonho é encontrar uma dessa, pode pesar até 11 kg. Chegamos numa praia meio feia, maré super baixa, água marrom, nem rolava de entrar no mar. Mas o clima era tão bom, cheio de barraquinhas com vários rangos gostosinhos e baratos. Pessoas alegres que se esforçam para tentar se comunicar. Achamos um banheiro e por 1 ringgit malaio tomamos um delicioso banho. Fomos então procurar diocamping por ali. Decidimos pedir espaço para diocampar na casa das pessoas. A primeira tentativa não deu certo. O rapaz era muito simpático, mas disse que era área particular. A segunda tentativa deu certo. Encontramos um restaurante muito bacana de frente para o mar que batia um vento muito gostoso. Perguntamos para um senhor que falava inglês se podíamos dormir por ali, ele sem nem pensar duas vezes liberou fácil. O legal era poder usar o banheiro do restaurante a vontade. A noite foi ótima, exceto na hora que várias formigas vieram me picar. Não sei se tem a ver com a loção hidratante de mel que eu passei. Quando vi, a barraca estava lotada de formiga. Tiramos todas, trocamos a barraca de lugar e dormimos felizes e frescos.

As pessoas aqui não são tão curiosas. Isso é muito bom porque as vezes a gente fica muito sem graça com todo mundo olhando para nós, parecendo que somos alienígenas. Aqui, os poucos que ficam olhando, chegam na gente, trocam ideia, descobrem o que querem e pronto. Agora o que mais nos impressionou foi a boa vontade dos malaios. O que você perguntar, eles dão o melhor jeito de atender. Se não conseguem, passam para outra pessoa. É maravilhoso receber essa atenção. Deveria ser assim em todos os lugares do mundo.

13/02 – Dia de pedal muito quente. Sabe aquele calor que você não sente nem fome, só vontade de beber todos os líquidos mais gelados do planeta? Esse dia tava assim. Fomos no mercado comprar uma água gelada, quando vimos o preço, não acreditamos, 3,50 Ringgit Malaio. Se fosse uma garrafa até que ia, mas a gente bebe muita água por dia, se pagarmos esse valor em cada garrafa vamos falir rapidão. A gente tinha água, mas estava morna. Thiago voltou indignado e não comprou a água. Eu morrendo de sede, compreendi o problema. Seguimos pedalando. De repente Thiago vê uma palmeira baixinha onde tinham vários cocos. Abrimos o primeiro e a água estava deliciosamente refrescante. Estava na sombra então estava bem fresquinha. Enchemos uma garrafa de 1,5 litros, duas garrafinhas de 500ml e mais 1 litro que bebemos na hora. Não sei porque, mas sempre que a gente resiste a algo tentador, que nos fará falta no futuro, aparece uma recompensa maior depois. Isso foi só o começo desse dia fantástico! Depois dessa fartura de água de côco, tomamos banho no posto e fomos procurar um diocamping. Achamos um posto e tomamos um banho. Aqui na Malásia, todo banheiro tem uma mangueira dentro de cada cabine. Então a gente toma um ótimo banho na maior privacidade. É uma mão na roda. Banho tomado, rumo a procura do diocamping. Fomos em direção a praia, e na primeira via que entramos, chegamos num restaurante/hotel. Era um lugar lindo, de frente para a praia. Vimos um espaço perfeito para dormir. Não custava perguntar. Falamos com um rapaz, esse chamou o dono e perguntamos para ele. Era um senhor, tinha uma cara fechada, mas logo abriu um sorriso quando dissemos que éramos do Brasil. E sem hesitar, deixou a gente se instalar naquele espaço. Ainda veio tirar várias fotos nossa. Arrumamos as coisas e fomos cozinhar nosso humilde miojo. Sim, miojo, é o que está rolando de comprar. Legume e fruta aqui é extremamente caro, surreal. Ainda estamos pegando a manha da comida. Mais tarde aparece um hospede e vem conversar com a gente, Kisan. Nos convida para tomar um chá em seu bangalow com sua esposa, a Liza. Papo vai, papo vem, o casal nos convidaram para jantar com eles num outro restaurante perto dali. Ainda estávamos cheios do miojo mas aceitamos, lógico. Avisamos que íamos apenas trancar as bikes e já voltaríamos para encontrá-los. No caminho entre o bangalow e o lugar que íamos acampar, o pessoal do restaurante estava assando um carneirão bonito. Pois foi só eles virem a gente passando e já montaram um prato cheio de carne e salada. Gente, vocês tem noção disso? A gente pede para dormir de graça num hotel, ainda ganha uma comida maravilhosa da família dona do restaurante. Aí começou o dilema. O que a gente faz? Se comermos essa comida, vamos ficar cheios para o outro restaurante. Decidimos embrulhar o prato e guardar dentro da barraca para mais tarde. O casal nos levou para comer peixe fresco e camarões, hum! Ja avisei logo que o Thiago não comia peixe. Eles sugeriram um frango bonzão. O detalhe é que eles não comeram. Já tinham jantado. Eles apenas quiseram nos presentear com um delicioso jantar, assim, do nada. Ainda passaram em um outro lugar que vendia espetinho de frango para a gente comer depois. Ainda demos um rolezão pela cidade. Eles são casados há 15 anos e tem 6 filhos. Muito legal a relação deles. Foi uma noite maravilhosa e inesquecível. Muito obrigada casal malaio. Muito obrigada família do hotel.

14/02 –  O casal malaio Kisan e Liza, nos convidou para tomar um cafe-da-manhã. Mas a gente já tinha comido o carneiro e o frango que não demos conta de comer na noite anterior. É muito chato fazer desfeita. Mas explicamos toda a situação, como eles tem costume de comer arroz, frango e peixe no cafe-da-manhã, nós embrulhamos a comida e guardamos para o almoço. Nos deram chá, suco, café, tudo para levar. Ainda ganhei um enfeite de cabelo lindo da Liza. Nos despedimos e seguimos viagem. Que mundo é esse gente? Que galera sangue bom! É inacreditável demais! To começando a achar que a gente já ama a Malásia. Mas o Nepal ainda esta em primeiro lugar.

Seguindo pelo caminho próximo a praia, já estava na hora de achar diocamping. O lugar, apesar de ser mais isolado, tinha muitas indústrias. Seguimos por uma via e nada de achar um bom diocamping. Decidimos então pedir para alguém deixar a gente acampar em sua casa. Entramos num terreno onde tinham várias casas. Falamos com um homem, ele disse que no terreno dele não tinha espaço e que era para falarmos com o irmão dele, apontou a casa e fomos lá. Vimos um senhor e fomos falar com ele. Explicamos que precisávamos de um pequeno espaço para montar nossa barraca e passar apenas uma noite. O terreno era bem grande. A sorte é que ele falava inglês. Aqui os mais velhos falam inglês, os jovens, só alguns. Ele entendeu e perguntou se tal lugar estava bom. Dissemos que estava perfeito. Nessa, seu filho, o Luqman, ficou com a gente o tempo todo, numa curiosidade louca. Ele falava malaio o tempo todo e não se ligava que a gente não entendia. Mais tarde, seu pai, Md Rashid, disse para colocarmos a nossa barraca na varanda da casa. Perguntou também se queríamos tomar banho. Brincamos até não querer mais com o Luqman. Ele é muito bonzinho e carinhoso. Não saia de cima de mim, só faltou sentar no meu colo. Jantamos com eles numa esteira da copa estava ótima para mim. para Thiago nem tanto, pois era um caldo de peixe. Mas ele comeu sem reclamar, ele detesta peixe, mas naquela situação, não tem como fazer desfeita. Ainda mais com pessoas tão acolhedoras desse jeito. Foi lindo, muito lindo. Ah, os malaios…

15/02 – 16/02 – Pela manhã, Luqman foi pra escola, um colégio interno, passa a semana toda lá, me deu uma dózinha quando ele partiu, tão fofinho. Deixamos um relógio de presente para ele. O pai quase morreu de felicidade. Certeza que o Luqman vai adorar quando vir. Obrigada família querida. Vocês tocaram profundo o nosso coração. Logo depois que saímos vimos um animal gigante, um jacaré, perto do rio que nos acompanhou boa parte do trajeto. Quase morri do coração né. Como vamos acampar sabendo que tem jacarés naquela região. Na verdade não é jacaré, é um varano-malaio, é tipo um teiú gigante, eles são mó grilados, a gente tentava chegar perto para tirar foto eles saiam voados. Ufa!

Ficamos num hotel chinês descansando. O quarto do hotel parecia quarto de cadeia, muito feio. Porém estava tudo limpinho, lençóis cheirosos e o preço estava ótimo. Sem contar que vendia um shake de côco que pelo amor de Deus, o que era aquilo. Que delicia refrescante mais gostosa. Valeu por demais! O fato de aqui na Malásia ter muito chinês, faz a gente se sentir na China. Pois passamos por diversos bairros onde só tem chinês. São super simpáticos também. Mas são um pouco desorganizados. O comércio geralmente é feio, prédios velhos e mal cuidados, um pouco desleixado e sujo. Entramos numa loja de bike para comprar pastilhas de freio, desacreditamos. A loja parecia uma oficina mecânica da mais suja possível. Roupas novas totalmente empoeiradas misturadas com entulhos velhos e sem utilidade. Bikes novinhas jogadas as traças. Muita poeira. Panos sujos jogados por toda a loja. A mulher demorou uma era para achar as pastilhas, e encontrou apenas uma. Parecia que a loja estava abandonada há anos. Sinistro. Será que na China é assim também?

17/02 – Oito meses de viagem, uhuuuuuu! O dia tava bem quente, o pedal tava mais ou menos, meio chato. As paisagens bonitas estavam sem grandes novidades. Entramos numa cidadezinha em busca de diocamping. Encontramos uns quiosques zerados. Não funcionavam ainda. A parte aberta ficava de frente para uma área verde. Então quem passava na rua via o quiosque todo fechado. Atrás do quiosque não tinha muito movimento. Dentro, tinha uma torneira, com água. Ao lado tinha banheiro. Rapaiz, que achado foi esse. Inventamos de fazer bivouac (fala bivaque) que é dormir sem a barraca, só com o colchão ou saco de dormir. Fechamos essa parte de trás, mas tinham uns mosquitos muito xaropes. Não deixavam a gente dormir. E o fato do quiosque ficar fechado estava me incomodando, não dava para ver o que estava rolando do lado de fora. Conclusão: lá pelas 3 da madruga, decidimos abrir a porta e montar a barraca e finalmente dormir. As vezes o esquema que parece ser perfeito, não é.

18/02 – Pedalamos de boa e pá. Na hora do diocamping, avistamos um corpo de bombeiros. Nós sempre víamos fotos de cicloviajantes no corpo de bombeiros e queríamos também. Tentamos abrigo uma vez em Portugal, não deixaram. Outra vez na Itália, já era noite e estava chovendo, chegamos lá molhados e não deram a mínima. Mas aqui na Malásia, foi diferente. Entramos com as bikes e logo veio um senhor nos atender, Amil. Perguntamos se podíamos acampar por ali em algum lugar, ele deixou fácil. Disse que podíamos tomar banho também. Começou a chover sinistramente 10 minutos depois que chegamos, ele logo veio dizer para nós dormirmos na sala de reunião. Pronto! Agora temos fotos com os bombeiros heróis queridos malaios. Esse dia era véspera do ano novo chinês. Por vários lugares que passamos ouvíamos fogos de artifícios e bombinhas estourando, ganhamos vária mexericas também. Que legal! É nessa data que os chineses aproveitam para fugir da China.

19/02 – Já que fomos tão bem acolhidos no bombeiro, porque não tentar a polícia? Bora ver se os malaios são gente boa mesmo. Falamos com o policial, ele ligou para o chefe dele que logo veio e ajeitaram a sala do arquivo para gente ficar. Ainda se desculparam dizendo que não tinha nada melhor, olha isso gente. Cinco minutos depois que chegamos, vimos mais 4 cicloviajantes andando pra lá e pra cá. Até que entraram na polícia. Que massa! Eram dois canadenses e dois ingleses. A gente não entendeu direito. Parecia que eles também queriam abrigo. O policial liberou o quarto e o Thiago perguntou se poderia chamar a galera, eles disseram que sim. Thiago chamou. O rapaz, o Nicholas já foi logo estacionando a bike. Mas acho que a namorada Virginia e a outra mina que tava com eles, a Suzy não curtiram muito o lugar. Acabaram não ficando. O policial jantou com a gente, acho que ele não curtiu muito a sopa. Fizemos nosso bivouac e dormimos bem! Confesso que fiquei com medo de rato, mas não apareceu nenhum, ufa!

20/08 – Chegamos em uma cidade perto de Pulau Pinang, a ilha. Quando entra numa cidade grande fica dificil conseguir diocamping. Tentamos num instituto de veterinária, pois tinha um espaço verde bacana. O senhor da portaria, um velho super simpático, pediu mil desculpas por não poder ajudar a gente, mas não dependia dele. Achamos então uma delegacia de polícia. Tentamos, mas não rolou. Quase não tinha espaço e as coisas são bem diferentes na cidade grande, não são fáceis. Já estava escurecendo, entramos num templo hindú, também não foi permitido. Já era a noite e  agente pedalando numa cidade imensa. O jeito foi ficar um hotel. :/

21/02 – Fomos para a ilha de Pinang e de lá pegamos um barco para a ilha de Langkawi. Que lugar maravilhoso, um sonho. Chegamos tarde já estava quase anoitecendo, a sorte é que a Suzy nos falou de um camping baratinho, fomos direto pra lá. Depois de 33 km rodados a noite, achamos o camping, 10 ringgit por barraca, ou seja, menos de 10 reais. Yes!

22/02 – Curtimos uma praia, finalmente. Quase não tinha gente, nem prédios. Fomos dar uma explorada nas outras praias, mas fomos barrados por um segurança. Não podíamos passar dali, pois ali é praia privada. Ihhhh! Como assim, que palhaçada isso, gente. Voltamos para a praia de graça, tinha um quiosque bacana, tocando musicas boas, tomamos umas geladas e ficamos de boa. Foi uma delícia.

23/02 – Saímos da parte mais isolada da ilha de Langkawi e fomos para a parte mais famosa. Confesso que ficamos um pouco decepcionados. A ilha é maravilhosa, tem muita coisa interessante para fazer. Se tiver dinheiro para isso. Tudo aqui é bem caro, apesar de ter diversas lojas duty free. Para quem vai tirar férias e tem aquela graninha a mais para gastar, eu aconselho a vir para cá. Mas para viajantes de longo tempo, não tem muita opção. A praia mais famosa é lotada de gente. Só tem sombra nos resorts. Fomos procurar uma praia mais deserta, mas é tudo dominado por resorts. Até que encontramos uma placa dizendo: praia pública. Fomos até lá, a praia é bem linda, mas a única sombra ficava perto de uma obra, um resosrt que estão construindo. Em breve não será mais pública. Triste isso. Saudades das praias lindas e acessíveis do meu Brasil. Mais tarde ficamos sentados na sombrinha de um hotel. Ninguém embarreirou. Ficamos vendo o movimento e apreciando o espetáculo da natureza, o pôr-do-sol. Supremo!

Passamos mais um dia na ilha e no dia seguinte fomos para Tailândia!

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