Vietnã

Vietnã 2017-07-07T12:11:28+00:00

Vietnã, momentos finais na Ásia.

08/06 – Pegamos um ônibus no Laos e fomos para Huê, no Vietnã. Na fronteira foi tudo tranquilo, estava morrendo de medo de dar algo errado, pois os nossos vistos estavam rasurados. A moça que fez o visto tinha colocado a data errada. A rasura foi feita de forma certa e assim entramos.
No caminho até Huê a paisagem já começou a ficar bem bonita. Muitos rios, muitos morros. Passamos por alguma cidades pequenas, observava o comércio, a escrita nos comércios. Aqui a escrita não é tipo símbolos igual na Tailândia, as letras são iguais as nossas, mas tem vários acentos meio nada a ver para nós.
Uma coisa muito interessante acontece comigo as vezes. Eu sinto que vou gostar de um determinado país um pouco depois de entrar nele. É uma sensação gostosa de pré felicidade, aconteceu quando entrei no Nepal. E assim foi quando entrei no Vietnã. Estava muito curiosa. Um país com uma história de guerra tão marcante. Como deve funcionar? Eu já fui num país socialista, mas o Vietnã é muito populoso. Confesso que estava bem apreensiva.
Foi em Huê que aconteceu uma das batalhas mais sangrenta e longa da Guerra do Vietnã, a batalha de Huê. A cidade fica localizada exatamente no meio, entre o sul e o norte. Eu com aquela minha sede de ver marcas de destruição da guerra, procurei por todos os lugares, todos os edifícios, todas as ruas, todos tudo. Não encontrei nenhuma marca da guerra. Na verdade encontrei uma cidade linda, rica, turística, cheio de coisas interessantes para fazer. Ué, e a pobreza? País socialista não é miserável? É o que dizem…

10/06 – Fomos visitar a incrível Cidade Imperial de Huê. É considerada Patrimônio da Humanidade. Parecia até que a gente estava na China, pois essa fortaleza é uma cópia da Cidade Proibida, que fica na China. Os americanos destruíram a maior parte da cidade, mas ela continua linda, muitos templos restaurados. É um passeio bem interessante, a cidade é enorme.

12/06 – Pegamos as bikes e saímos de Huê, rumo a capital Hanói. Tínhamos um pouco mais de 10 dias para chegar até lá, daria uns 700km. Saímos do delicioso ar condicionado do hotel e fomos enfrentar o calor. O calor mais intenso que sentimos na Ásia, foi no Camboja. Eu achava que o Vietnã fosse ser bem mais fresco. Ledo engano, é muito mais quente. Não pedalamos nem 5 km e eu comecei a passar mal, senti tontura e uma fraqueza horrível. Parecia que ia desmaiar a qualquer momento. Vimos que a poucos km dali, no litoral, tinham algumas pousadas e foi para lá que fomos. Mermão, que calorrrrrr! Thiago saiu para procurar comida. Comprou melancia, arroz sem gosto e pato. Nunca tinha comido pato, frango é muito melhor. Mais tarde quando o sol baixou fomos dar uma caminhada até a praia em busca de algo gostoso para comer. A praia estava lotada, tinham muitas barracas, mas não conseguimos identificar o que essas barracas vendiam. Não achamos nada para comer. Nada que a gente soubesse o que era. Também não encontramos mercado. E cada vez mais sinto falta da comida linda brasileira. Que vontade de comer feijão, pão de queijo, pamonha…

Descansamos por 2 dias e resolvemos mudar os planos. Pegar um ônibus logo para Hanói e inventar coisa para fazer lá até chegar a data de vazar. Nosso maior medo era não chegar a tempo de ir embora. Então, fomos logo para lá para não ter erro. As vezes dava uma nóia na cabeça, imagina não conseguir mais sair da Ásia, estávamos longe demais de casa. Sem contar que tava muito difícil pedalar nesse calor, desde o dia que pisamos na Malásia a gente passa calor extremo, vive suado, preguento, fedendo, sensação de que estamos sujos o tempo todo. E também já estávamos em clima de final de viagem, as coisas vão perdendo a graça. Voltamos para Huê e de lá, fomos para Hanói.

15/06 – Chegamos em Hanói, os preços estavam mais salgadinhos, mas conseguimos um hotel bacana e barato no centro. Hanói é uma cidade fantástica, tem um comércio gigante, tem tudo lá. E é aquela cidade grande aconchegante. Não sufoca, ficamos super a vontade. Adorei!

16/06 – Fomos visitar o Museu Maison Centrale, ou Prisão de Hoa La. Construída pelos franceses em 1886 para prender presos políticos e mais tarde usada na Guerra do Vietnã para prisioneiros americanos. O presídio era chamado de Hanói Hilton, acho que para dar uma zuada com os americanos por causa da rede de hotéis Hilton. O senador americano John MacCain também ficou preso lá, durante 5 anos, sofreu bem. Fomos de bike.  Estava com um pouco de medo de pedalar numa cidade imensa diante de milhares de motinhas, mas foi uma delícia. Eles andam devagar, são prudentes e respeitam muito os ciclistas, na real é como se estivéssemos em motos também. Os semáforos são muito loucos. Teve uma hora que o semáforo abriu pra gente e pra galera que tava do outro lado ao mesmo tempo, os dois sentidos se cruzaram, parecia um balé sincronizado. Bate um desespero de ver um monte de moto vindo na sua direção, mas dá certo demais e um desvia de outro tranquilamente, nossa, foi muito divertido. Devia ter filmado!

17/06 – Já que não íamos continuar a viagem pedalando, decidimos passear por lugares mais distantes da capital. Compramos dois pacotes de passeio, um para Tam Coc  e outro para Sapa. O resultado desses passeios você confere nas fotos. Caramba, o Vietnã é sensacional demais!

Tam Coc fica na província de Ninh Binh, que lugar surreal. Primeiro fomos visitar uns templos antigos com influência chinesa. Depois fizemos um passeio de barco pelas montanha altas, entre as plantações de arroz. Foi um dos lugares mais maravilhosos que meu olhos já viram. O barco passava por dentro de cavernas. Foi um sonho. Depois do passeio de barco ainda teve rolé de bike pela região. Que dia agradável. Nem o calor profundo me desanimou.

18/06 – Dia de irmos para Sapa. Grande dia. Grande lugar. Sapa fica no noroeste do Vietnã, quase lá na China. Viajamos de ônibus na madrugada inteira. Tava no meio de um sono gostoso no ônibus, as poltronas inclinam quase 180°, até que chegou na cidade e para a nossa surpresa estava um frio maravilhoso, nossa, mas fazia tempo que não sabíamos o que era frescor. Saltamos no centro da cidade em frente a um lago lindo. As casinhas ao fundos pareciam casas européias, fiquei fascinada com a beleza daquela cidade.
Existem vários grupos étnicos nessa região, tem até um povoado que fala uma língua diferente do vietnamita. O povo Hmong, que mora lá nas montanhas, principalmente as mulheres, vestem roupas típicas, coloridas. Lembram muito as peruanas. Eles plantam cânhamo para a produção de tecidos. Lá estavam elas nos esperando para vender alguma coisa. Elas andam com os nenenzinho nas costas, coisa mais linda. Fomos para o hotel, descansamos e já fomos para o primeiro rolé.
Uma guia local muito simpática nos levou para conhecer os terraços de arroz. Ai meu Deus! Obrigada por ter me dado a grande oportunidade de estar aqui. Quando foi que eu imaginei na vida que um dia iria estar no Vietnã?
Nesse primeiro dia, a gente deve ter caminhado uns 7 km, visitamos os vilarejos e o modo de vida que aquele povo leva. Agora sim me sinto no Vietnã, aquele Vietnã que temos em nossas mentes.

19/06 – No dia seguinte fizemos outro rolé, mas dessa vez foram 12 km. Além da nossa guia, que já havíamos pago no pacote, surgiram mais duas guias, uma menininha que ficava na minha cola e uma senhora que ficava na cola do Thiago. Todo lugar que eu ia, a menina me seguia. Isso estava me incomodando muito. Tentava me esconder dela no meio da galera, não dava muita atenção, mas não adiantava, ela sempre aparecia do meu lado. Pensei então que elas iam pedir dinheiro no final do passeio pelo serviço prestado. E como eu já tinha pago pra outra guia, fiquei bolada. Decidi abstrair isso e curtir o passeio. Foi então que eu me apeguei. A menina chamada Din era muito lindinha e tão pequena. Era muito engraçado ela me dando a mão para me segurar pro caso de eu escorregar do barranco, como ela iria me segurar? Ela fazia era atrapalhar. Comecei a ficar com dó dela. Tão pequena e já sendo treinada para ser guia. Aí comecei a mima-la. Dava chocolate, refrigerante, água. No meio da viagem, paramos para almoçar, eu ia pagar o almoço das duas, mas nem precisou. De lá elas seguiram para casa e não pediram dinheiro, ofereceram apenas umas bolsinhas artesanais que elas produziram. Um rolé todo desse só pra vender bolsinhas, ai fiquei com tanta dózinha. Mas a vida delas é essa. Estão acostumados a caminhar a até a cidade. São fortes! Que saudade da Din. Saímos de Sapa de noite, nesse mesmo dia.

Voltamos para Hanói. Embalamos as bikes lindamente perfeitas, para não acontecer o que quase aconteceu no Nepal, quase perdemos o vôo por causa das embalagens ridículas que fizemos. Desmontamos as bikes inteirinhas.
Eu fiquei deslumbrada com esse país. Conheci muito pouco, e por onde passei, não vi pobreza alguma. O país esta prosperando cada vez mais, a economia é uma das que mais cresce no mundo. Para todos que dizem que o socialismo não deu certo, no Vietnã deu muito certo.
Fiquei com muita vontade de conhecer o Vietnã de cabo a rabo. Tem uma variedade de paisagens incrível.
Foi muito bom, apesar de não termos pedalado. É impressionante quando temos muito mais histórias para contar quando a gente faz a viagem de bike e dorme na rua. Muito mais acontecimentos. Mas valeu demais da forma que foi. Satisfeitíssima
24/06 – Dia de se despedir da Ásia. No caminho do aeroporto, chorei. Me deu um sentimento de saudade antecipado, foi muito forte, Thiago nem percebeu que eu tava chorando, eu morro de vergonha de chorar na frente dos outros, quando meu olho começa a lacrimejar eu já enxugo, é impressionante como eu seguro o choro. E também porque a viagem estava prestes a acabar. De fato, ainda não estava 100% preparada para o fim. Na verdade ainda não era o fim, estávamos indo para Amsterdã e ainda tinha o Brasil pela frente. Mas deixar a Ásia, apesar de toda dificuldade que tivemos, foi bem triste. É uma tristeza boa!

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