Bicicletas 2017-07-07T12:11:30+00:00

Bicicletas

As bicicletas que escolhemos para viajar.

As bicicletas que usamos são da marca espanhola Orbea, modelo mountain bike com componentes de alta durabilidade e fáceis de encontrar em qualquer lugar do mundo.
Os freios do tipo V-Break são bem eficazes e ainda possuem um custo de manutenção muito menor se comparado com os freios disco.
Escolhemos o aro 26 pelo fato de podermos encontrar pneus, raios e câmara de ar para esse modelo em lugares mais isolados, pois ainda são mais comuns dos que os novos 27,5 e 29.
Substituímos o selim das bikes por modelos da marca Brooks, que nos dão um conforto incrível, ele pega o formato do osso da bunda, mas é preciso pedalar pelo menos uns 1.000km para ele pegar o formato e nunca mais doer a bunda.
O grupo Shimano Acera de 9 velocidades está se mostrando muito resistente e de pouca manutenção.
Acrescentamos um descanso traseiro para suportar todo o peso da bike carregada.
O retrovisor é um item indispensável em uma viagem de bicicleta. É extremamente importante para nossa segurança poder ver o que está vindo por trás da gente.
Os paralamas são bem bacanas porque evitam de jogar água/lama na gente, na nossa bagagem e na relação da bike.

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Durante a viagem, cruzamos com vários cicloviajantes. Vou destacar dois casais que viajaram com bikes diferentes da nossa. Perguntamos para eles quais as vantagens e desvantagens de cada bike.

O casal francês Antony e Caroline (400 Jours) e as bikes dobráveis.

“Nós escolhemos bicicletas dobráveis porque quisemos praticidade em nossas viagens. Realmente, para uma excursão mundial em 400 dias, era necessário poder transportar facilmente no ônibus, no trem e no avião. Ao contrário das bicicletas normais, que tem que desmontar, tirar algumas peças, correndo o risco de estragar, as bicicletas dobravéis é só dobrar, se tornando uma embalagem pequena! É esta grande flexibilidade que nos permitiu fazer tantas coisas em tão pouco tempo!

Optamos pela marca inglesa Brompton, por ser considerada uma das melhores marcas de bike dobrável. É a mais compacta na posição fechada e também é a mais bonita, não que isso seja importante. A marca por ser conhecida mundialmente, facilitou muito encontrar peças e serviços.

A desvantagem são as rodas pequenas, limitando a andar somente em estrada asfaltada. Tivemos que ter muita atenção, pois os pneus furavam constantemente. Essas bikes também são bem menos eficientes que as normais. Ou seja, você faz mais esforço e avança pouco. Mas assim que começava a ficar muito complicado, a gente dobrava, botava a mochila nas costar e pegava um outro meio de transporte.”

O casal saiu de Grenoble, na França em outubro, 2014 voou para Istambul. Depois foram para o Nepal, China, Tailândia, Cingapura, Coréia do Sul, Japão, Canadá, Estados Unidos, Peru, Bolívia, Argentina e Chile. A viagem terminou na ilha de Chiloé, perto da Patagônia. A viagem como prevista terminou em 400 dias.

Nos conhecemos em Chitwan, no Nepal. Estávamos almoçando, eles viram as bikes e vieram conversar com a gente. Nos indicaram o hotel ecológico mais legal de todos. Como eles estavam perto da gente na Tailândia, nos encontramos novamente. Dormimos num templo budista, ganhamos várias refeições deliciosas, eles adoraram. Foi incrível.

Link da página:  400 Jours 

O casal Luísa e Tom (CafeandBike) e a bike dupla Tandem

Nós íamos encontrar o casal do CafeandBike na Tailândia, junto com o casal do francês do 400 Jours. Acabou rolando um desencontro e não deu certo. Mas pedi para a Luísa me contar toda a sua experiência com a bike tandem e ela foi bem detalhista.

Bem, antes de começar a listar os prós e contras de uma tandem, vou contar um pouco porque escolhemos viajar em uma bicicleta dupla.

Eu conheci o Tom logo após ele ter feito sua primeira viagem de bicicleta (Londres a Istambul). Então, desde o início do nosso namoro, ele sempre comentava, já tentando me convencer, de que um dia iríamos fazer uma viagem de bicicleta juntos. Para mim, no entanto, isso era algo totalmente improvável e eu o levava pouco a sério, afinal de contas, eu era a exceção a regra e havia me esquecido, da infância para a adolescência, de como se andava de bicicleta. Se passaram quase 5 anos dos nossos primeiros planos em fazer uma viagem juntos, quando realmente decidimos que era agora ou nunca. Porem, mesmo já decidida a entrar nessa aventura, eu não só continuava sem saber andar de bicicleta, como também não tinha a menor experiência com trânsito (não dirijo também!) Então, o Cafeandbike nasceu, a viagem começou a se concretizar em nossas vidas e eu continuava sem saber andar de bicicleta e sem me sentir confiante no meio de uma estrada sozinha. Foi ai que depois de umas pesquisas resolvemos que a solução para nosso caso era viajar de bicicleta dupla!
E foi com ela que viajamos por 196 dias, passamos por 22 países, percorremos 14.000km e vivemos uma das fases mais incríveis de nossas vidas.

Acho que depois desse breve resumo já vai ser um pouco óbvio qual será meu primeiro ponto positivo ao se viajar em uma tandem!

Pontos Positivos:

–  Permite que pessoas com todo e qualquer tipo de experiência (inclusive, nenhuma, rs!) viajem de bicicleta. Eu contribui com a força na hora de pedalar, mas não tinha controle da direção da bike. Então, em momentos de tensão ( tráfego intenso, descidas ingrimes, curvas fechadas, insetos voando no seu olho, etc) quando é importante manter a calma e uma boa “carreira” de ciclista ajuda bastante, uma tandem requer apenas uma pessoa com esses pré-requisitos e permite dois viajantes.

–  Você está sempre junto do seu companheiro(a) de viagem. Você não precisa ficar preocupado com seu parceiro que está muito atrás ou muito a frente de você. Você não tem que ficar esperando ou mudando seu ritmo para deixar o outro lhe alcançar.

Tem gente que pode achar que isso se encaixa também nos pontos negativos. Mas eu e Tom não achamos. Lógico que aqui também vale analisar muito a personalidade e o relacionamento entre os viajantes. Mas por vários momentos durante a viagem eu, realmente, conseguia me sentir sozinha e refletir sobre a vida, sobre o que estava vendo e tudo que estava passando, mesmo que o Tom estivesse ali na minha frente. Não foi preciso me isolar para conseguir ter uma experiência única e super pessoal. E o mesmo passava com o Tom, que volta e meia me perguntava em forma de brincadeira: “Você está ai ainda? Ou foi embora?” , porque conseguíamos passar horas e horas, sem trocar uma palavra, apenas tentando absorver tudo que estávamos passando. E também nos dias que queríamos conversar bastante e nos sentirmos sempre na cia de alguém, isso era muito fácil. Não era preciso tentar pedalar emparelhado, ou ir um pouco na frente do outro e ir conversando meio que os berros. Estávamos super perto um do outro. Íamos conversando, contando piada, jogando jogos e cantando, mas cantando muito juntos, rs!

Outra sub-vantagem desse item é que por estarmos sempre muito juntos, as histórias mais engraçadas que passamos em cima da bicicleta foram vivenciadas pelos dois, obrigatoriamente. Todas as cenas que o Tom viu de muito engraçado no caminho, eu vi também, afinal, estava logo atrás!

Considero também como uma subvantagem dentro desse item, o fato de sempre que tínhamos um problema na bicicleta era algo rapidamente notado pelos dois. Não precisava me preocupar em informar meu companheiro de viagem que meu pneu furou, ou que precisava parar por motivo A ou B.

– É uma bicicleta diferente, fora do comum. Viajar de bicicleta já é algo que chama atenção na maioria dos lugares por onde você passa, viajar com uma bicicleta que a maioria das pessoas nunca viu e muito menos pedalou é uma experiência muito legal (p.s- nem eu e nem o Tom tínhamos andado de tandem antes de andar no nosso primeiro dia de viagem, compramos a bike acreditando que ia dar certo,rs!). A tandem chamava muita atenção e com isso acho que conseguimos despertar ainda mais o carinho das pessoas pelo caminho. A curiosidade delas por aquela bicicleta dupla muitas vezes foi o início de conversas super agradáveis e foi, sem dúvida, uma maneira de nos aproximarmos ainda mais das pessoas locais por onde passamos.

– Menos suscetível a roubo. Isso eu na verdade não tenho como comprovar. Ainda bem não passamos por alguma tentativa de roubo. Mas por mais que uma tandem seja mais cara que uma bicicleta “comum” de uma cicloviagem (as vezes, mais que duas, inclusive) ela por chamar muito atenção e não ser tão fácil de se pedalar sozinha ou colocar dentro de um carro etc, creio ser menos suscetível a roubo. Fazendo um pouco uso do exagero, é como roubar uma limosine rosa, você não consegue manter muito em segredo.

– Velocidade nas descidas. Nossa bicicleta, com a gente em cima e mais a bagagem pesava em torno de 210kg! Se parar subir não era tão fácil, para descer era uma maravilha! Em condições ideais (estrada boa, poucas curvas, sem carros, etc) conseguíamos atingir velocidade super alta para uma bicicleta.

– Pouca chance de quedas. Caímos apenas três vezes na viagem toda e digo, caímos no plural, em solidariedade ao Tom, porque eu mesma, sempre consegui me manter de pé. Acho que o peso dificulta muito qualquer tombo, e para a pessoa que está atrás (na verdade, mais no meio da bicicleta) a queda é muito mais difícil. As três vezes que caímos, eu consegui ter tempo para me apoiar de alguma maneira.

– Mais atenção dos motoristas. Esse item também se encaixa no terceiro da lista, vimos que muitos motoristas por não entenderem muito bem o que era aquilo no acostamento/ ou na rua, diminuiam a velocidade e davam mais espaço. Não por nos respeitar mais do que um outro ciclista qualquer, mas muito para poder saciar a sua curiosidade.

– Menos equipamentos extras. Se eu e Tom viajássemos cada um com sua bike, teríamos que pensar em levar equipamentos/peças extras para cada uma das bikes. Indo de tandem você só precisa se preocupar com apenas peças e manutenção de apenas uma bicicleta.

– Mais rápida. Nas condições normais, uma reta, uma estrada regular, etc, fica muito mais fácil duas pessoas dividirem o peso de uma bicicleta tandem, que é mais leve que duas bicicletas individuais juntas.

– Mais fácil fugir em situações de perigo. Essa é uma vantagem um tanto quanto específica, mas que foi vivenciada e que depois dela, eu agradeci muito o fato de estarmos em uma tandem. Muitos sabem que um dos perigos dos ciclistas são os cachorros. Em 99% dos lugares, reconheço que eles não chegam a ser um perigo real, e sim, um susto. Mas não quando se trata dos cachorros das regiões tibetanas. O tibetan mastiff parecem ursos e são super ferozes. Existem alguns outros relatos de ciclistas que passaram pelas áreas que passamos e que chegaram a desistir de pedalar por esses trechos, devido aos constantes ataques desses cachorros. Por estar em uma tandem, conseguimos nos dividir em tarefas para nos livrar de uma dessas tentativas de ataque, o Tom ficou focado em pedalar e eu em tentar espantar os cães. Para se ter uma noção de quanto eles eram ferozes, um deles conseguiu fazer alguns furos no alforge que estava perto da minha perna esquerda (quem aqui tem um alforge a prova d’agua sabe o quão resistente é o material).

Pontos negativos

– Transporte de uma tandem. Se você precisar pegar um voo com sua bicicleta, e ela for do tamanho padrão, quase todas as cias aéreas do mundo aceitam sua bike como bagagem. Uma tandem requer uma pesquisa maior porque as taxas e regras variam muito. Você até consegue achar opções em conta, mas é preciso disponibilizar mais tempo pesquisando. Mesmo vale para ônibus e trem, ideal é que você confira se a parte destinada a bagagem cabe uma tandem e se será necessário pagar uma taxa extra por ela não ser uma bicicleta dentro dos padrões.

Mas, ressalto que os “problemas” que tivemos ao transportar nossa bicicleta foram poucos, até porque desde o início estávamos determinados a não usar praticamente nenhum outro tipo de transporte. E tivemos pequenas vantagens no caminho, em todas as balsas para ilhas que visitamos pagávamos sempre apenas por uma bike.

– Dificuldade nas subidas. Se nas descidas podíamos voar se quiséssemos, nas subidas éramos super devagar. Mesmo sendo duas pessoas dividindo o peso da bicicleta e equipamentos, não conseguíamos “ficar de pé” e algumas subidas se tornavam difíceis sentados.

– Menos espaço para alforges. Isso eu coloquei como desvantagem, mas acho que também seria capaz de colocar como vantagem. No início quando soube que teria apenas um alforge para chamar de meu, achei que era impossível colocar tudo que eu queria levar em apenas um. Fiquei pensando que se fossemos de bicicletas individuais teria mais espaço para minhas coisas. De fato teria, mas no fundo, acho que ter sido obrigada a ser sucinta e levar apenas o necessário foi importante não apenas para evitar o extra-peso, mas, principalmente, para ensinar que precisamos de quase nada para viver.

Considerações finais:

A pessoa da frente tem que ser a mais experiente, e também deve ser a mais “forte”. Já que requer um maior esforço físico do que a pessoa que fica atrás. Eu e Tom, por experiência própria e por conversas com outros viajantes de tandem achamos que a divisão fica mais ou menos assim: 60% do esforço físico fica com o a pessoa da frente e 40% com o de trás.

Caso alguém tenha alguma dúvida ou pergunta quanto a viajar em uma tandem podem nos enviar, que responderemos com maior prazer.”