Bulgária

Bulgária 2017-07-07T12:11:30+00:00

Bulgária: fria, cinza e triste.

26/10 – Entramos na Bulgária! Fazia um lindo sol e o sol segura bem a onda do frio. É engraçada a reação dos policiais da fronteira. Tem mó fila de carro e a gente na mesma fila, de bike. Eles ficam curiosos para saber de onde somos e de onde estamos vindo. Até agora, só policial gente boa. De todos os países. Quando deu umas 16:00 a temperatura caiu muito. Comecei a tremer, o Thiago me avisa que minha cara ta arrepiada. Quando vi minha cara tava meio enrugada, muito estranho. Sorte que estávamos perto de uma cidade e sorte que tinha hotel nela. Perguntei pra minha amiga médica Sofia, ela disse que é como se as células tivessem congelado. Vixe!

27/10 – Chegamos na cidade de Sofia, é a 12 cidade maior da União Européia. Os búlgaros tem a cara fechada. Eles não são de sorrir. E a maioria que nos comunicamos era meio estranho. Os dogs daqui são meio chatinhos. A gente deu um monte de coisa pra certos cachorros comerem, quando saímos eles ficaram latindo atrás da gente um tempão. Ouxe! Em compensação, os búlgaros são totalmente respeitosos no transito. Todos os caminhões diminuem ao passar pela gente. Quando não tem espaço para eles desviarem, eles freiam, esperam liberar espaço e ai sim desviam de nós, excelente! Encontramos um italiano, Minarski, cicloviajante, ele parou pra falar com a gente, carregava uma gaiolinha com um cachorro neném dentro, lindo. Disse que estava indo pra Ásia, mas teve que mudar seus planos porque achou o cachorrinho na estrada, lembramos do Schumacher na hora. Ele fez o que não tivemos coragem de fazer, mas também estamos loucos para entrar na Ásia. Não foi dessa vez. Na hora certa acharemos o nosso Schumacher.

28/10 – Demoramos a sair de Sofia. Nosso carregador do note quebrou, tivemos que procurar outro, ainda bem que achamos. Compramos luvas novas de couro sintético, é impressionante como a mão congela rápido. Enrolamos para sair da cidade, já tava meio tarde, fomos procurar um hotel, achamos um camping. Tinha uns bangalos. Nunca vi um camping tão antigo, me senti nos anos 70. Pelo menos era mais barato que hotel, 15 euros.

29/10 – Decidimos parar de dar mole no frio e fazer volume. Acordamos cedo e fomos pedalar. Avistei neve no caminho, quando nos demos conta a paisagem toda estava coberta de neve. E o frio? Tava menor. Paramos para brincar com a neve, é muito massa. O pedal foi gostoso e menos traumático. Estava bom, até surgir do mato 5 cachorros grandes correndo atras de mim, comecei a acelerar e eles não paravam, um tentou morder o alforge, o Thiago veio atrás gritando pra eles saírem. Pow, os dogs da Bulgaria são chatos mesmo. Que susto, que adrenalina, pelo menos esquentei o couro. Achamos um hotel, top, todo novinho, todo lindo. Preço: 25 euros.

30/10 – Meu niver de 30 anos e niver de 3 anos de namoro com o bebezão. Ficamos descansando, comemos carne. Se tem algo que to sentindo falta é de uma boa carne de vaca. Aqui na Europa não tem carne de vaca boa, só de porco. A nossa meta de viagem era completar os 30 anos de idade na estrada. Consegui!

31/10 – Dia de enfrentar o frio. Saímos do hotel o clima estava horrível. Depois de um tempo pedalando o céu foi abrindo e o sol lindo apareceu para nos guiar. Fizemos 70 km bem rápido. Chegamos na cidade de Pazardzhik.

01/11 – Acordamos com um sol brilhante na nossa cara. O clima está melhorando, se pá hoje rola de acampar. Pedalamos bem, passamos rapidamente pela cidade de Plovdiv, comemos no Mc Donalds e saímos fora. Arrumamos um diocamping na estrada, bem escondido. A noite foi ótima, não passamos frio. Como é bom poder voltar acampar e economizar. Estamos bem pertinho da Turquia. A partir daí começa a segunda fase da viagem. Quanta ansiedade!

02/11 – Tivemos uma noite tranquilona no único diocamping que fizemos na Bulgária, não passamos frio. Na estrada avistamos alguma coisa vindo devagar na direção oposta, talvez um carroceiro cheio de coisas, quando chegou perto era um casal de cicloviajantes. Paramos para conversar com eles, ela é francesa,  a Stani e ele inglês, o Richard. Não acreditamos no tanto de coisas que eles carregavam. As bikes estavam abarrotadas de coisas. Depois da troca de contato e da foto, eles foram embora. Porém voltaram 1 minuto depois, para nos dar o telefone de uma brasileira que era casado com um búlgaro conhecido deles e moravam a alguns km dali. Ficaram por lá durante alguns dias na cidade de Harmanli, íamos passar por lá. Ficamos com um pouco de vergonha de ligar do nada e se oferecer pra ficar na casa dela, mas decidimos que íamos tentar. Chegamos até a graciosa cidade de Haskovo e passamos um dia lá para poder atualizar o blog. Entramos na página do casal e tivemos uma grande surpresa. Eles estão viajando de bike há 10 anos, isso mesmo, 10 anos e já rodaram mais de 164.000km, é inacreditável. Eles estavam indo em direção a França onde encerrarão a viagem. Como deve ser voltar pra casa depois de 10 anos viajando? Eu já to sem saber como vai ser estando 6 meses fora. Foi um privilégio encontrar esse admirável casal. Para acompanha-los o site é:www.velomad.com

05/11 – Ligamos para a brasileira Tati e explicamos que encontramos o casal e eles nos deram seu telefone e talz, sem questionar nada e super receptiva, disse que era para ligar pra ela quando chegássemos em Harmanli. Chegamos, deu tudo certo e ficamos lá. O marido dela não estava, pois eles vão se mudar pra Inglaterra. Preparamos um belo jantar pra ela, um strogonoff. Muito bom poder falar português! Fomos super bem recebidos e acolhidos. Ah, os brasileiros… No bairro que ela morava tinha um edifício destinado aos refugiados da Síria. Tem muito sírio por la. E os prédios são horrorosos, pois eles não cuidam do condomínio, então o prédio é largado e velho. Os apartamentos são bonitos por dentro. Esse país é estranho, vibe estranha. Enfim, valeu!

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