Espanha

Espanha 2017-07-07T12:11:31+00:00

Hola Espanha!

17/06 – Muito demais entrar em um país de bici, e assim foi nossa entrada a Espanha. O legal foi que chegamos exatamente na mesma data que chegamos em Portugal no mês passado. A paisagem já muda bastante, aqui tem mais área verde e mais rios, ou seja, lugares propícios para diocamping e banho. E foi logo no primeiro dia que encontramos um diocamping perfeito. Tinha mesa e tudo mais, tomamos banho no riozinho ao lado, perfeito. Foi num lugar publico perto de um condomínio, os espanhóis passavam, nos viam e nem ligavam, eles tem coisas mais importantes para se preocuparem, melhor pra gente. Perdemos o medo de dormir na rua.

18/06 – Acordamos muito dispostos e partimos em direção a algum lugar. No caminho passamos por uma rocha e o Thiago já foi lá brincar de escalar (boulder). Depois que vimos que tinha uma placa em homenagem a dois espanhóis que escalaram várias montanhas do mundo. Também vimos um monumento muito bonito em homenagem aos mortos pelo fascismo em Concello de Mos. Conseguimos um camping no quintal da casa de uma senhora, ela queria cobrar 20 euros, mas negociamos por 12. Mesmo assim ainda fica caro, mas o lugar era lindo, numa plantação de uva com uma vista fantástica para uma ilha. Vale.

19/06 – Saímos de Rodela, digo, Redondela e seguimos rumo a direção de Santiago de Compostela. Começou a ter muita subida e o pedal não rendia, o tempo estava fechando, então decidimos procurar um diocamping. Procura aqui e ali e nada. Avistamos um parque com uma lagoa linda, mas estávamos bem no alto e não sabíamos como descer lá. Entramos numa rua sem saída e 3 ovelhas começam a gritar, até que um cara aparece. Nos dá buenas tardes e começamos um papo. Ele nos convida pra acampar no quintal de sua casa. Nos oferece licor de café (típico da região). Nos oferece sua churrasqueira para assarmos uma carne. Ainda nos oferece uma ducha caliente. Ah nemmm… Que doido! Seu nome é Gabriel, gente boa demais! Agora o mais engraçado foi eu comentando com o Thiago: meu amor, que legal né, o grito das ovelhas fizeram com que o Gabriel viesse até nós, que coisa divina, coisa de Jesus.”

Aí mais tarde, chego pro Gabriel e pergunto: Gabriel, você só apareceu lá porque as ovelhas gritaram pela nossa presença não foi?

Gabriel: Ué, não! Aquelas porras berram o dia inteiro, fui só trocar elas de lugar porque estavam enchendo o saco. (em português seria mais ou menos assim).

Rimos muito. Foi uma noite muito bacana. Valeu Gabriel. Valeu ovelhas.

20/06 – Arrumamos hospedagem em Santiago pelo Warmshower. Difícil foi chegar até lá. Não chegamos e o diocamping da vez foi numa ruína. Uma casa muito antiga, feita toda de pedra, dormimos onde deveria ser o quarto do segundo andar. Esta tomada pela natureza. O que será que ja rolou naquela casa? Quem já morou lá? Quando? Ficava tentando visualizar como ela era. Só sei que os fluidos eram bons, dormimos muito bem. Como tinha uma igreja perto a gente acha que deveria morar algum padre lá, fomos na igreja tentar informação mas não conseguimos.

 

21/06 – Depois de 30 km de subida (modo de dizer, mas eu só lembro de ter subido) chegamos a Santiago de Compostela. Uhuuuuu! Vários peregrinos por toda a parte, gente muito cansada e realizada. Visitamos o túmulo do apóstolo Santiago, tudo muito lindo! Adoramos tudo. Dormimos na casa do Pablo do WS (warmshower), fizemos um rangão e foi só alegria. A casa do Pablo na verdade era uma ocupação. Ele nos avisou por e-mail, a gente não entendeu direito mas sabia que poderia ser isso mesmo. Só pensava na polícia invadindo e botando todos para correr. Mas a real é que a polícia não se mete. Se o dono do prédio achar ruim, ele expulsa os moradores e esses procuram outro prédio abandonado. O que mais tem na Europa são casas e prédios abandonados. Não tinha energia elétrica, dormimos num grande conforto. O único medo era ver o teto levemente afundado com uma rachadura no meio. E a frase que tava escrito na parede é a que mais se enquadra nessa situação era: “Gente sin casa, casas sin gente”.

A Cada Dia a Espanha Surpreende.

22/06 – 23/06 – Saímos de Santiago 12:00h. Foi só subida, já estávamos moídos. O tempo começa a fechar e não arrumávamos diocamping. Fomos numa pensão e custava 35 euros, nemmm. Pelo menos nos avisaram que havia um albergue ali perto. Chegando lá não tinha ninguém, chovia muito. Achamos um lugar coberto e preparamos nossa janta. Mais tarde o senhor chegou, o preço do albergue: 6 euros por pessoa, massa! Precisávamos tirar um dia pra descansar, lá seria ideal, se não fossem as regras! Dormimos lá e combinamos que acordaríamos a hora que quiséssemos. Porém, as 08:00 da manha, a mulher nos acorda, falando um monte de coisa, a gente com o maior sono do mundo sem entender nada. Mas a real era que teríamos que vazar de lá naquele momento, e se quiséssemos voltar só depois das 13:00, puta que parila! Tudo bem que há regras, mas a porcaria do albergue estava vazio, o que custava nos deixar ficar. Saímos putos!
Andamos uns 30 km e achamos um camping por 18 euros, ta doido. Tivemos que recorrer a outro albergue, chegando lá não tinha ninguém. Ah legal né, na hora de expulsar a gente eles trabalham bem, na hora de estar lá pra nos atender, não. O albergue estava aberto, entramos e preparamos nosso rango. Tinha uma peregrina que nos avisou que o responsável só chegaria as 21:00h e poderíamos nos instalar, opa, vale! Na hora certa o senhor apareceu, pagamos e perguntei se teríamos que deixar o camping as 08:00 da manhã, ele respondeu: não, não, pode ir a hora que quiserem, as 10:00, 11:00 ou as 13:00, como preferirem. Mas que belezaaaaaa! Era dia de jogo do Brasil, mas pelas “regras”o albergue fechava as 22:00. Pois esse albergue da cidade de Miño não tinha hora pra fechar, uhuuuu! Procuramos um bar pra ver o jogo e nada de achar. O que achamos foi uma super festa na praia em comemoração ao dia de São João. Tinha varias fogueiras gigantes, famílias, crianças e jovens curtindo a mesma vibe! Perfeito! Foi lindo! Valeu São João! Valeu velhinho do albergue! Aí sim passamos o outro dia descansando!

25/06 – O dia não tava rendendo, estávamos devagar! Fomos procurar diocamping, tinha um terreno particular, uma casa abandonada, mas não tava legal. A gente firma o diocamping quando os dois concordam e se sentem bem com o ambiente. Vimos uma placa de um mirante e parecia promissor. E da-lhe subida, subida sem fim. Ate que chegamos no topo e tivemos a vista de tudo, muito bacana. O tempo estava nublado, peguei a câmera pra tirar foto das bikes e o sol apareceu, assim, do nada, se exibindo pra mim. Foi uma vibração sensacional. Quanta energia tem o sol!

26/06 – Descemos tudo o que subimos ontem, que delícia! Depois de 40 km rodados, chegamos em Ortigueira. Não tinha camping, um senhor bem velhinho nos deu a ideia de acamparmos na praia, fomos lá averiguar! Estávamos precisando tomar banho, fomos procurar uma ducha, mas encontramos 35 duchas. Sim, todas funcionavam. Bingo…Passamos 2 dias nessa praia! O local é onde acontece o Festival de música Celta. Acontece em julho, todo ano. Fica lotado de gente. Por pouco não chegamos no tempo certo. Fizemos amizade com um dog lindo chamado Otto. Quando a senhora que tava com ele veio me dar um beijo de despedida, o Otto subiu em mim para me beijar também, difícil de acreditar, mas foi real. Colhemos aspargos selvagens e fizemos para o jantar.

29/06 – O diocamping da vez foi num parque etnológico! Claro que não podia, mas não tinha nenhuma placa proibindo. Antes achamos um localzinho esperto para tomar um banho. Tem que ficar de olho em tudo, qualquer filete de água serve. Teve uma galera que disse que éramos muito ricos por poder fazer uma viagem dessas. Somos mesmo, se liga na nossa banheira de hidromassagem, com direito a barro e água muito gelada, que são ótimos para pele, huahauauhauhau. Foto lá embaixo.

 

Região das Astúrias – Quanta riqueza!

01/07 – Passamos a noite numa praia num bairro bem nobre. Praia linda porém cheia dos não-me-toque. Era proibido acampar, mas começou a chover e já estávamos bem cansados, o diocamping foi ali mesmo. Ninguém apareceu e foi tudo tranquilo. Depois de arrumarmos as coisas de manhã, na hora de partir começa a chover. Bota a capa de chuva protege os eletrônicos, tá massa, vamos nessa. Paramos numa parada de ônibus para pegar a gopro, eis que surge um cicloviajante, um alemão (Cristopher). Papo vai, papo vem, acabou viajando com a gente. Só falava em ingles, e quando não entendíamos, ele repetia com calma e de outra forma, até a comunicação dar certo. Cris nos ensinou de maneira muita massa a como pedir pra acampar no quintal de alguém, é a melhor forma de acampar de graça e é muito fácil conseguir. Ele não fala espanhol, sabia apenas dizer que precisava de um lugar pra montar sua barraca e passar a noite. Fomos num boteco e pimba, conseguimos acampar no terreno no Pepe Belinho. É muito bom dormir sabendo que ninguem vai te xaropar com nada. Preciosa dica. Valeu alemão. Sorte que te conhecemos antes do jogo do Brasil, se não…Tu ia zuar a gente pra porra!

03/07 – Combinamos de fazer volume, rodar bem. Só que fomos conhecer a Praia das Catedrais e foram 20 km sem avançar, rendeu nada. Entramos na região de Asturias, muito linda. Achamos um camping roots muito irado. O dono do camping, o Feliciano, ficou encantado com  nossa viagem, ficamos la 2 noites, ele não cobrou uma das noites e ainda fez panquecas pra gente de cafe da manhã, poxa vida. Como é bom conhecer pessoas boas que tem interesse pelo que você é e não pelo o que você tem. Como pode sentirmos algo tão bom por uma pessoa que acabamos de conhecer. Essa é a magia da viagem.

 

05/07 – Passamos por uma cidade totalmente graciosa chamada Luarca. Paramos no restaurante de um hotel para tomar um café com leite, o dono do hotel nos ofereceu uns quartos para peregrinos (lembrando que ainda estamos fazendo o caminho de Santiago) por 10 euros por pessoa. Pelo naipe do hotel é até barato, mas pra gente pesa. Explicamos a situação e perguntamos se teria algum camping por perto. Ele disse que poderíamos acampar ali mesmo no quintal do hotel sem problema e sem custo, ahhh ta de brincadeira, que massa! Valeu Lineu (ele era a cara do Lineu da Grande Família)!

06/07 – O pedal foi tenso, só subida e descida, muita curva, foram 60 km assim. Estava tarde e nada de acharmos um diocamping, descemos até uma praia e nada, já estava anoitecendo e começou a chover. Como era domingo o único lugar coberto perto era um restaurante. Ficamos la e nada da chuva passar. Thiago saiu na chuva pra procurar lugar pra acampar, na mesma hora a dona do restaurante estava saindo de carro e nos deixou acampar no restaurante, apenas com a condição de sair antes das 09:00 que é o horário que o restaurante abre. Que bacana!

07/07 – Chegamos em Gijon. Moraria nessa cidade com toda certeza. Uma coisa que nos incomodava muito era o banco das bikes. Dava 30 km a bunda começava a doer muito. Já estávamos planejando comprar os Brooks (marca antiga de bancos de couro) mas a cidade que vendia estava bem longe. A primeira loja de bike que vimos em Gijon tinha esses bancos, Yesss! Compramos, o preço é bem salgado 85,00 euros cada, mas é banco pra vida toda. Ficamos 4 dias em Gijón, um deles eu fiquei com o pescoço ferrado. :/

11/07 – Depois de vários dias parados só gastando, voltamos a estrada. Avistamos um cara (Juan) e fomos lá perguntar se ele sabia de algum lugar pra acamparmos. No inicio ele ficou meio assim, mas acabou nos convidando para acampar em sua casa. Tinha mesa, tinha mangueira, tinha local coberto para guardar as bikes e tinha um cachorro lindão. Perfeito.

12 -13 – 14/07 – Seguimos a dica do Juan e fomos rumo aos Picos da Europa. Minha nossa senhora, só foi subida extrema, uns 13 km. Andávamos a 5km/h não chegava nunca. Foi duro, muito duro. Uma hora chegamos e o visual foi compensador, valeu a pena. Sempre vale o esforço. Já que foi difícil conquistar a montanha, decidimos diocampar por lá mesmo, no topo, incrível! Estávamos meio apreensivos de acampar no parque. Encontramos um brother muito sangue bom, o Rojo. Ia passar a noite la também na sua van e nos disse que ninguém iria aparecer. Pronto, a noite será tranquila. Rojo também nos deu uma dica irada de ir para o Rio Dobra, nos passou um esquema que rolava de acampar escondido. Fez o desenho e fomos lá procurar, encontramos! Dia 14 ficamos num camping pra poder atualizar o blog, conhecemos o Português Camilo e sua esposa Anette. Ele ficou doido pela nossa viagem, disse que esta se preparando pra dar a volta ao mundo em 2018. Muito massa! Adoramos ter conhecido eles.

Últimos preciosos momentos na Espanha

15/07 – Ainda nos Picos da Europa. Que lugar surreal, as montanhas tem uma energia muito forte. Dá até pra entender porque os escaladores de montanhas passam aquele perrengue todo para poder conquista-las. Elas te atraem. Passando por elas, me deu uma euforia que cheguei a perder o folego. É inexplicável. Pois foi entre elas que diocampamos, logo depois de uma ponte medieval. Incrível demais.

16/07 – Acordamos e fomos dar um mergulho no maravilhoso rio que tinha abaixo da ponte. A cor da água era um azul esverdeado, lindo. O único problema era a temperatura. Não chegamos a medir, mas sabe quando você segura uma barra de gelo por muito tempo e rola aquela dor? Essa agua doía. Entramos mesmo assim e foi muito bom.  No caminho encontramos uma ovelha que estava presa no morro. Tentamos ajudá-la, mas fiquei com medo dela se assustar e cair. Sorte é que a polícia passou e resgatou ela. O policial escalou o morro, mostrou pra ela onde era a saída e ela se salvou. Valeu senhor policial. Que cuidado bonito com os animais.

17/07 – Nossa amiga Marcelesca havia nos avisado que dia 19/07, ia rolar uma competição de (Psicobloc), o Red Bull Creepers, numa cidade da Espanha, em Pamplona, numa ponte de peregrinação. Estávamos há uns 300 km de distancia, mas essa cidade estava na direção que iríamos. Vale a pena tentar pra ver o Chris Sharma e outros monstros (modo de dizer quando o cara manda bem na escalada) escalar. Então pedalamos até a cidade de Unqueira e de lá pegamos um trem para Santander. Dormimos num camping,  Santander é uma cidade bem grande litorânea, me lembrou a zona sul do Rio de Janeiro. Bairros nobres, gente rica, hotéis de luxo.

Pegamos um ônibus para Pamplona. Pow essa foi fácil, já estamos na cidade 2 dias antes do evento, boa!

18/07 – Ficamos o dia descansando e lavando roupa!

19/07 – O evento começava as 17:00h, o camping era longe da cidade, 8km. Fomos perguntar pra recepcionista do camping onde ficava a tal ponte (Puente La Reina), ela disse que ficava a 43 km de Pamplona, putz grila, vacilamos de não ter pesquisado direito. E lá fomos pra Pamplona pegar ônibus pra Estella, mó caro pra levar as bikes. Chegando em Estella, descobrimos que a ponte era a 22km dalí. Na correria não nos informamos direito. Compramos mais uma passagem pro local certo. O ônibus chegaria dali a meia hora. Chegou e não quis levar as bikes, porque não cabia no bagageiro e o ônibus grande passaria em 2 horas. Ficamos lá esperando 2 horas, resmungando o tempo todo. Iríamos chegar com 40 minutos de atraso. Não arriscamos ir de bike porque não sabíamos se ia ter muita subida.

Depois da correria chata, conseguimos chegar no evento, e o melhor, não tinha começado. Yes! Pegamos um lugar bacana e assistimos ao espetáculo dos monstros da escalada, os melhores do mundo. Foi muito massa! Valeu demais a dica, Marcela e Leandro! Só não conseguimos com que o Chris falasse: “Cocal é gueto, fí”.

20/07 – Domingo, antes de saírmos do camping o celular do Thiago foi roubado. Aqui na europa não costuma ter assalto a mão armada, mas não é bom dar mole, tem muito furto, mas é mais em cidades grandes. Ficaremos mais espertos agora.

Como iremos pra Andorra, pegamos um ônibus que para a cidade mais próxima. A cidade foi Lleida. Chegamos a noite. Não tinha camping. Fomos a um hostel e estava lotado, fomos a outro e estava lotado. Pro nosso azar tinha tido um festival de musica na cidade e todas as hospedagens estavam cheias. Só tinha vaga num hotel 4 estrelas, 60 euros. Ah nemmm. Pra nossa sorte, fomos ver um hotel 1 estrela, que estava lotado, porém o recepcionista era da República Dominicana, e ficou encantado com as nossas bicis. Disse que éramos hermanos e nos acolheu, deixou a gente acampar nos fundos do hotel. Félix, você não imagina o quanto nos ajudou e o quanto somos gratos pela sua gentileza. Muito obrigada, irmão!

 

21/07 – De volta a estrada. Como pedalar nos faz bem, é ruim ficar parado por vários dias, gostamos é de nos movimentar. Rumo a Andorra, todos nos alertavam que pegaríamos muitas subidas, pois Andorra fica nos Pirineus. Bora nessa! Paisagens maravilhosas, tipo uns desertos. Diocampamos perto de uma torre de eletricidade. A única coisa que apareceu foi um ratinho grilado. A noite foi tranquila.

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