Itália

Itália 2017-07-07T12:11:31+00:00

Significado de Itália é: comida deliciosa.

15/08 – Tratamos de sair fora logo de Mônaco, quero nem imaginar o preço das coisas. Entramos na Italia. O litoral em época de férias fica intransitável. Achamos um camping e fomos empolgados perguntar o preço, 30 euros. O que? Você só pode estar brincando. Fomos atras de outro, estava lotado. Já era noite e não havia nenhum espaço para o diocamping. Então decidimos que iríamos ficar no próximo camping que achássemos pelo preço que fosse. Achamos um e estava lotado. Saímos desanimados e ao lado havia um pequeno parque com uma lagoa, opa, vai ser aqui mesmo. Fechou!

16/08 – O primeiro contato com a Itália não foi muito massa, decidimos sair do litoral urgente. Seguimos para as montanhas. Visitamos Badalucco, nadamos numa linda lagoa. Passamos também por Montalto, a cidade fica na montanha, só tem velhinhos na cidade, tudo é muito antigo. Não tinha nenhum espaço plano para o diocamping, achamos um lugarzinho escondido no alto no meio das oliveiras. Tem oliveira por todas as partes nessa região. É muito engraçado, aqui todos dão tchau ao invés de olá, mas na real descobrimos que não é tchau e sim ciao (pronuncia tiao), difícil dar tchau no oi, huahauhuaha.

17/08 – O diocamping estava tão gostoso que ficamos enrolando um tempão, só curtindo uma preguiça fresca. Parecia até que sabíamos que teria 10 km de subida extrema. Descemos bastante e chegamos numa cidade medieval chamada Pieve di Teco. Arrumamos diocamping num local que parecia ser área privada.

18/08 – Não dormimos direito, é ruim achar que estamos no terreno de alguém, mas na real não era área privada, nos preocupamos atoa. Pegamos mais e mais subidas até encontrar um camping muito aconchegante no povoado de Nava. Tiramos esse dia para tomar uma cervejinha e ficar de boa.

19/08 – O dia amanheceu bem friozinho, ótimo pra ficar descansando, que delícia. Um senhor muito simpático nos convidou para almoçarmos com ele. Valério fez uma bela macarronada de frutos do mar, mamma mia, que maravilha. Ainda nos deu 6 garrafas de chá matte.

20/08 – Niver do meu sobrinho lindo Raphael, te amo meu neném. Iamos embora, chegamos a arrumar as coisas, mas o camping tava tão bom que decidimos ficar. Uma senhora muito fofa preparou um spaghetti divino e levou pra gente, Luciana (se pronuncia Lutiana) ainda nos deu uma torta de castanhas que a cada pedaço era um gemido diferente, gostosa demais. Mais tarde Valério nos levou para colher funghi (cogumelos), e nos deu uma aula sobre funghis. Achamos 3 dos mais gostosos (mazza di tamburo). Aqui se come ele empanado. Comemos, e eu fiquei com vontade de comer mais uns 5 daquele. O amigo do Valério nos deus temperos e cerva pra gente preparar os outros cogumelos que colhemos. Depois de uma fartura de cogumelos dormimos cedão, bateu um sono sinistro. Dormir é uma das coisas mais maravilhosas da vida.

21/08 – Nos despedimos do Valerio querido, ele também estava indo embora. A dona Luciana ainda nos convidou para um café e outra torta dos deuses. Isso só provou o que esperávamos, Itália só tem comida deliciosa. Esse camping foi um dos mais legais, esse e o do Feliciano, na Espanha. O pedal de hoje foi 50 km de descida, nem suamos. Achamos um diocamping amplo e lindo.

22/08 – Tentamos gravar o vídeo das dicas, mas não deu certo. O pedal foi devagar, sem muitas emoções. Achamos um rio ótimo para o banho e um diocamping top perto. Thiago fez um risoto de cogumelos e peito de peru que ficou maravilhoso.

23/08 – Niver da minha irmã Alê, mãe dos meus nenens, parabéns fofa. Passamos um noite muito tranquila. Começou a chover na hora que acordamos, aproveitamos para dormir até ela passar. O diocamping da vez foi debaixo da ponte, hauhahua. Mas era uma ponte tranquila, longe de cidade grande. Fizemos um gnocchi delicioso. Muito barato, em breve postaremos a receita e os valores nas dicas.

24/08 – Niver do meu querido cunhado Clovis (o nome dele verdadeiro é Rodrigo e o apelido mais famoso eu não vou falar, se não ele me mata, huahauha, gosto muito do Rodela). O pedal foi bem gostoso hoje, passamos numa casa antigona onde Napoleão se hospedou junto com sua tropa “Cascina Torre Garofoli”. Poxa era uma casa gigantesca e estava lá abandonada, sem restauração. Eu fiquei com vontade de entrar, mas esta fechada e jogada as traças, que dó. Na verdade a Itália toda esta abandonada, a impressão que temos é que todos abandonaram as coisas e saíram fora. As zonas industriais só tem fábrica abandonadas. Lindas casas que não são abertas por muito tempo. A maioria dos postos de gasolina não tem funcionários, tudo automático, sem contar os postos fechados. Dá dó de ver. O banho e o diocamping foi atrás de um posto, no milharal, de boa.

26/08 – As paisagens estão ficando maçantes, só plantações e zonas industriais, quase não estamos tirando foto. Cicloviagem é massa demais, as missões diárias são: achar lugar pra tomar banho e lugar pra dormir. A dificuldade maior é banho. Quando conseguimos banho frio já é uma alegria extrema, saber que vamos dormir limpos. Agora achar banho quente é luxo demais, quase raro. Tomar um bom banho também é uma das coisas mais maravilhosas do mundo.

27/08 – Depois de 6 diocampings seguidos, precisávamos encontrar um camping para agilizar as coisas. Em Cremona achamos um. Muito legal essa cidade, muito antiga. Tem uma igreja imensa, linda. O pessoal usa muita bike, e só tem bike retrô, uma mais linda que a outra. Italiano gosta de um entulho. Esse camping que ficamos tinha um monte de trailler jogado. Da pra ver que tá fácil de arrumar, mas além deles não arrumarem, não venderem ou jogarem fora, deixam entulhado pro tempo estragar de vez. O camping era bonito, mas cheio de entulho, entulho antigo cheio de trepadeira em cima, não consigo entender. Por que não doam pra alguém, enfim, coisas de italianos.

29/08 – 30km – Conseguimos gravar as dicas pro pessoal que esta planejando fazer uma cicloviagem, em breve postaremos. Saimos tarde do camping, achamos um rio e diocamping bem selvagem, muito bicho, muito úmido. Onde quer que você esteja na Itália você vai ouvir os sinos de alguma igreja. Incrível!

30/08 – Uma coruja ficou caçando de madrugada pertinho da barraca, pensa numa bicha sinistra, grita pra caramba. Adoro corujas. Passamos por Brescia, cidade bem grande. Engraçado como estamos desacostumados de cidade grande. A gente fica meio perdido com tanto movimento, muita gente estranha, sem contar o transito, é bem estressante. Geralmente passamos rápido por cidades grandes. Arrumamos um bom diocamping perto da zona industrial. Itália é o paraíso dos diocampings.

03/09 – Choveu a noite toda e boa parte da manhã. A chegada em Verona foi bem estressante. Por todos os lugares que tentávamos ir dava acesso a autovia, ou seja, proibida para bike. Aí geral começa a buzinar e a te deixar muito nervoso. Esta cada vez mais difícil passar por grandes cidades. Enfim, a cidade é bem bonita e bem antiga. Visitamos a Arena de Verona, por fora, pois ia ter um concerto na hora. Essa arena é do século I, e até hoje tem apresentações de concertos nele, incrível. E foi aqui que foi vivida a história de amor de Romeu e Julieta, ai que romântico. Para deixar a cidade, a mesma treta para sair. Entramos num parque logo depois da cidade e achamos um diocamping num parquinho de criança perfeito, ainda era coberto.
04/09 – 80km – Pela manhã chegaram uns funcionários do parque para cortar a grama. Nos olharam com aquele ar de curiosidade e vieram conversar com a gente, na maior simpatia. E ainda ficamos grilados achando que alguém vai brigar com a gente. A policia também passou viu a gente lá e ainda acenaram, ahhh os italianos! Paramos para comer numa zona industrial, passou um cara e nos deu uma bandejinha de presunto, assim, do nada, para nos agradar mesmo. O pão só ia ter queijo e tomate, adoramos. Passamos por Vicenza, cidade grande e bonita. Paramos num café para dar uma descansada. Um cara simplesmente pagou nossos cafés, viu que estávamos de bike. Caramba, quanta gentileza.
Tava difícil de achar um diocamping. Arrumamos um cantinho num milharal, de boa.
05/09 – 50 km – Acordamos e tinham várias lesmas grandes nas nossas coisas. As lesmas não seriam tão nojentas se não soltassem uma gosma pelo orifício delas. Elas são tranquilas, eu até gosto delas, mas são muito nojentas e um pouco feinhas também, mas a gente acaba acostumando. Passamos por Padova, as cidades italianas por quais passamos são meio parecidas, tem muita coisa interessante, mas como a gente sempre passa voando, fica difícil lembrar dos detalhes. Passamos pelas cidades proximas a Veneza, com lindos canais. E foi num parque de uma dessas cidades que acampamos, estávamos tão escondidos que nem os cachorrinhos que passavam sacavam que tinha gente ali. Compramos uma ducha portátil, que alegria! Dormir podrão, nunca mais!

06/09 – A noite foi ótima. Tomamos nosso café e partimos rumo a Veneza. Fomos pela única estrada que dá acesso. Chegando lá seguimos o fluxo e achamos que só entraríamos em Veneza por barco. Ninguém quer saber de dar informação. Não podia levar as bikes e não tinha onde guarda-las. Comecei a ficar indignada e ja tava querendo dar o fora de lá. Mas aí decidimos tentar chegar o mais perto possível e vimos que dá sim para ir com as bikes, só é complicado de andar com elas na cidade. Então deixamos as bikes na polícia, seguras e fomos visitar Veneza. Esse pessoal de cidade turística tem muita má vontade, tá doido. Demos um rolé por lá. Veneza é muito diferente do que estamos acostumados, vale a pena conhecer. Muita história, muitos acontecimentos. Muito bacana. Tem uma loja só com artigos do Beatles, fiquei louca com as pelúcias dos Beatles. O engraçado é que tem muita gente que vai pra Veneza a caráter, super arrumado, como se fosse para um baile.

08/09 – Depois de 6 dias pedalando direto, precisámos arrumar um camping para descansar, e pra piorar a situação, comecei a sentir que estava com cistite.  Pesquisamos na internet e não tinha nenhum camping no caminho. Por sorte vi uma pequena placa de uma tenda num hotel que tinha um bonito bar que vendia vinhos. O local parecia fino demais, mas não custa perguntar o preço. 10 euros, não acredito! É aqui mesmo que vamos ficar.

09/09 – O camping tava tão bom e tão barato que decidimos ficar mais um dia. Ainda estava meio ruinzinha da cistite, combinamos que íamos passar no medico amanha no caminho.
Conhecemos o Natalino, de Cabo Verde, fala português, que maravilha poder conversar em português, gente boníssima, nos convidou para tomar um vinho. Eu não gosto mais de vinho e para não fazer desfeita aceitei o vinho rosé que ele me ofereceu. Malucoooo, foi o vinho mais delicioso que já tomei na vida. Era tipo um espumante muito suave e muito saboroso, delicioso. O Thiago também amou. O bar só vende vinho de produção própria, são dos irmãos Giuseppe e Luigi. Demais!

10/10 – Acordei mal de cistite. Não por causa do vinho, pois tomei meia taça. O hospital ficava ha 11km do camping. E lá fomos nós de bike, eu, Thiago e Natalino, que nos levou até o hospital público. Chegando lá, disseram que por ser estrangeira cobrariam pelos serviços feitos no hospital. Grilei. Depois de 2 horas fui atendida. Foi o tempo do exame ficar pronto. A médica passou um antibiótico e pronto, não precisei pagar nada, ufa! Fui na farmácia comprar o remédio e o antibiotico custava menos de 2 euros. Sinistro. A noite fomos para o bar, mas eu nem tomei o vinho divino. Conhecemos o Luigi. As funcionárias do bar eram muito legais, a Estefania e a Rose.

11/09 – Pela manha choveu muito, enrolamos até conseguir sair do camping. Iamos ficar uma noite e ficamos três. Na hora de pagar o camping, eles não aceitaram. Que surpresa boa viu.
O diocamping foi num local bem tranquilo perto do trem.

12/09 – Paramos num posto, tinha internet. Ficamos enrolando um tempão. Não estava totalmente recuperada. Chegamos em Trieste tarde já, quase escuro, o maior vacilo, a cidade é imensa. Anoiteceu e nada de acharmos diocamping. Para piorar começa a chover forte. Fomos até o corpo de bombeiros ver se rolava de dormir lá, não deixaram. Tinha um parque fechado, mas muito estranho, e na cidade não rola de arriscar. Por sorte a gente usa um aplicativo chamado Maps With Me, que mostra um mapa de todos os lugares, nele vimos que tinha uma pequena área verde perto. Fomos verificar, quando vimos tínhamos que subir muita escada para chegar. Foi o jeito, ainda bem que o Thiago é fortão, ahuahua.  Era um parque para dogs, perto de dois prédios, tava tranquilo, ai que alivio!

 

13/09 – Choveu demais, mó lamaçal e cheio de caquinhas de cachorro. Thiago foi calçar o tênis, viu que tinha algo, era uma lesma gigante, hauahuahuhauhahaau. Mas o importante é que conseguimos dormir bem. Cicloviagens não são só flores, lembrem disso. Depois de muita subida, chegamos a Eslovenia.

 

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