Portugal

Portugal 2017-07-07T12:11:32+00:00

Despedida.

Nas duas semanas antes da partida, resolvendo várias coisas chatas, na empolgação e ansiedade, algo me incomodava…a saudade. Não senti medo de sair do emprego e nem de largar tudo rumo ao desconhecido. Senti medo de não aguentar de saudade. Mas aí chegou o grande dia, me despedi de todos, chorei e vi que saudade é um sentimento lindo, é amor, você só sente saudade de quem ama, não há porque ficar triste. Iremos voltar.
Amigos e família, amamos vocês. Muito obrigada pelo apoio. Nos sentimos muito mais seguros com a força e a confiança de vocês.
Vamô que vamô, começou!!!!

Mãe, te amo! Fique com Deus.

Camping Lisboa

Chegamos em Lisboa às 16h20. Clima bom. O camping é imenso e tem uma ótima estrutura. Muitos motor home com casais de velhinhos elegantes, uma graça, já posso imaginar meu futuro. Fomos ao shopping comprar alimentos, não vi nenhuma diferença dos shoppings de Brasília. Diferença mesmo foi no preço dos produtos que compramos na Decathon que fica pertinho do camping. Foi uma economia de uns R$ 500,00, comparados aos preços do Brasil. As pessoas não têm o costume de cumprimentar, porém não perderemos nossa simpatia brasileira, e cumprimentaremos mesmo se ficarmos no vácuo.

Quinta da Regaleira – Sintra

Pensa num frio…Isso porque é primavera. Muita chuva, quando deu uma trégua, partimos para uma vila portuguesa chamada Sintra. Isso porque estamos parados por causa das bikes que ainda não chegaram na loja que compramos. A nossa vontade é sair pedalando agora. Enquanto não chega, vamos turistar. Que lugar lindo, agora sim me sinto na Europa. Muitos turistas por lá, vimos um músico de rua tocando Caetano: “gosto muito de você, leãozinho…”. Fomos a essa vila exclusivamente pra conhecer a Quinta da Regaleira. Sensacional, queria muito entender a lombra desse lugar. Segue um resumo: Constitui um dos mais surpreendentes e enigmáticos monumentos da Paisagem Cultural de Sintra, classificada como Patrimônio Mundial pela UNESCO. Na atmosférica mágica dos seus cênicos jardins e na sua arquitetura, revela-se a imensidão cósmica e poética de uma Mansão Filosofal lusa. É uma viagem num universo imaginário de símbolos e metáforas. Lá, nada é o que parece ser, mas sempre o indício de algo intenso, transcendente, misterioso…Não tem como explicar, é difícil de entender, e é isso que dá o brilho a esse lugar fantástico.

Belém e Pedro Ivo.

Fomos a Belém visitar o Mosteiro dos Jerônimos e a Torre de Belém. Comemos pastéis de Belém legítimos, que maravilha, meu Deus!

Pedro Ivo passou no camping as 09h30. Encontramos seus amigos para surfar, mas acabou não rolando. Foram andar de skate numa pista irada. Escalamos boulder. Visitamos a escola de escalada, vias à beira da praia. Muitas paisagens lindas, tomamos 7up, das antigas.
A cidade estava cheia de espanhóis, vieram ver a final da Champions aqui em Lisboa, jogo emocionante, Real Madri campeão.
Pedro nos deu as melhores dicas possíveis sobre tudo o que precisávamos saber. Valeu demais, lek.

Lisboa rumo a Peniche

Pegamos as bikes, finalmente! Depois de uma semana ansiosos esperando. Quanta alegria!

26/05/14 – Pegamos as bikes. O plano era chegar até Ericeiras, mas depois de 20 km percorridos, tive a visão do paraíso…Uma lanchonete que vendia hambúrgueres. Estava aberto, entramos. Angela preparou um belo sanduiche pra gente, que delícia. O dono da lanchonete é o Carlos, um português muito simpático. Ficou animadíssimo com a nossa viagem e, entre uma conversa e outra, nos convidou para dormirmos em sua casa. Conhecemos sua esposa, a brasileira Solange, com a mesma simpatia do marido. Decidimos ficar. Jantamos todos juntos um delicioso frango. Dormimos numa cama confortável e quente. Fomos muito bem tratados. Eles têm uma cabrita anã linda chamada Margarida, uma figura. La também estava o Edu, um brasileiro que mora em Portugal há 8 anos, nos deu café da manhã. Queríamos agradecer imensamente pelo carinho de todos. Foi impressionante como fomos bem tratados. Obrigada.

 

27/05/14 – Carlos ainda disse que poderíamos ficar mais tempo lá, mas decidimos partir. Chegamos rapidinho em Ericeiras, debaixo de chuva, nem ia rolar de montar barraca, sorte que tinha umas cabanas de surfista mais em conta, valeu a pena. O camping era 11 euros com a barraca, se ficássemos nas cabanas pagaríamos 17 euros. Fechou!

 

28/05/14 – Rumo a Torres Vedras. Andamos 30 km, chegando lá, não tinha camping, falamos com os bombeiros e com a polícia e perguntamos se poderíamos acampar por ali, mas não era permitido. O jeito foi seguir pra Santa Cruz, achamos um camping por 10 euros.

29/05/14 – Saímos de Santa Cruz rumo a Peniche. Depois de 35 km rodados, achamos um camping mega barato, por 3,65 euros, nós dois e mais a barraca. Merecemos até mais 1 dia de descanso, até agora foram 4 dias de pedal sem parar.

Peniche rumo a Foz do Arelho

30/05/14 – Dia de descanso, fomos dar um rolé em Peniche. Visitamos o forte de Peniche, onde ocorreu a famosa fuga. Resumo: foi uma das fugas mais espetaculares da história do fascismo português, por se tratar de uma das prisões de mais alta segurança do Estado Novo.

No dia 3 de Janeiro de 1960, Álvaro Cunhal e mais 9 prisioneiros conseguiram fugir. Essa fuga só foi possível graças a um planejamento muito rigoroso e uma grande coordenação entre o exterior e o interior da prisão.

 

31/05/14 -Saímos de Peniche e chegamos a Óbidos, onde tem uma cidade dentro de um castelo. Resumo: A história é tão bonita quanto o lugar. Óbidos é uma das vilas mais lindas e preservadas de Portugal. Em parte, porque a trajetória dessa cidade protegida por uma alta muralha de pedra é fortemente ligada à nobreza desde o século XIII. Quando o Rei Dinis se casou com Isabel de Aragão, entre os presentes que o monarca deu à mulher, estava a vila de Óbidos inteirinha. Muito, muito lindinha a vila.

Incrível Pôr do Sol

01/06/14 – Saímos de Peniche, o intuito era ir para Porto de Mós, mas no meio do caminho encontramos um camping perto da praia em São Martinho do Porto e decidimos passar a noite lá. O valor foi de 9 euros, o banho quente custava 1 euro então tomamos banho gelado mesmo. Ao visitar a praia, tivemos a visão de um pôr do sol maravilhoso. Obrigada astro-rei!

02/06/14 – Deixamos São Martinho do Porto e seguimos pra Porto de Mós. Já estávamos cansados e quando chegamos lá descobrimos que não tinha mais camping. O camping mais próximo era numa serra a 20 km dali, ou seja, provavelmente 20 km de subida. Decidimos então encarar a realidade e procurar um lugar pra acampar na rua. Estávamos numa zona industrial e nada de achar um bom lugar. Avistamos um fabrica abandonada, mas dava medo só de pensar em dormir lá. Thiago estava apreensivo querendo agilizar um local logo. Eu, estava com frio e ventava muito. Até que o Thiago avistou uns pinheiros e fomos lá conferir. Era um parque lindo com brinquedos medievais e um xadrez gigante, perfeito. Nosso único medo era de ter um segurança lá e nos botar pra fora. Ninguém apareceu, o único segurança que tinha lá era uma cadela, que latia quando alguém se aproximava. Tivemos uma noite de sono ótima. E assim surgiu o nome Diocamping, ou seja, acampamento na rua.

03/06/14 – Deixamos o camping divertido. Passamos por Batalha, visitamos o Mosteiro da Batalha. Chegamos em Vieira, achamos um camping, mas estava fechado sem energia elétrica, porém tinha outro próximo, o camping do Pedrogão, ufa. Ficamos acampados 3 dias, valor: 7,77 euros por dia. Compramos umas cervejinhas e fomos curtir. Os portugas não curtiram muito nossa alegria não, por causa da nossa farofada. Eles odeiam bagunça. Deu pra absorver um pouco tudo o que estamos vivendo. Estamos realizados. A vontade é sempre seguir, cada dia é um lugar diferente e não sabemos o que encontraremos pela frente. O que sei é que ta valendo muito a pena. Em breve iniciaremos o caminho de Santiago português. Aí simmmm…

A cidade deslumbrante de Porto

 07/06/14 –  Saímos de Figueira de Foz, pegamos uma ciclovia linda. No caminho encontramos o velho Frederico, que brevemente nos contou sobre sua vida, uma simpatia pura. Na estrada encontramos vários peregrinos indo para Fátima, entre eles haviam ciclistas que nos doaram uma cerva pra abastecer a alma, ô maravilha. Decidimos que hoje o camping seria de graça, ou seja, dia de diocamping, pra ser mais exata, acampar na rua. Entramos numa pousada rural pra ver se descolaríamos um espaço para colocar nossa barraca. Trocamos ideia com o dono, o Joaquim Manoel (hehehe), muito gente boa, estudou com o Cazuza na 4º série, que massa! Acabou que nem pedimos pra acampar lá. Porém encontramos um parque muito bonito e foi lá o segundo diocamping.
08/06/14 – Como de costume, acordamos tarde, estamos tentando mudar isso. Na estrada pedalando de boa, eis que avistamos uma barraca vendendo frango assado. Aquele cheiro delicioso subiu pelas nossas narinas e fomos até lá flutuando, tipo no desenho do pica-pau. Compramos um frango inteiro e era pra durar o dia todo, pois durou apenas aquele momento, devoramos em questão de minutos. Mais tarde, paramos no mercado para comprar algumas frutas e conhecemos três ciclistas portugueses muito legais (João, Rodrigo e Nuno). Estavam indo pra Santiago de Compostela, onde daqui a pouco estaremos. Nos deram muitas dicas importantes. Valeu peregrinos! Estávamos a procura de parque de campismo (como chamam por aqui) e nada. Encontramos um riozinho e tratamos de tomar um banho. Muito bom. O rio ficava dentro de um terreno com um lindo gramado, tinha um muro baixinho e era aberto, opa, vai rolar o diocamping 3#. Ia rolar, se um português xaropão não viesse nos xaropar, droga… Vazamos de lá. O dia estava acabando, vimos uma plaquinha de um hotel. Chegando lá era 3 estrelas, não é pra gente. Tinha uma recepcionista muito atenciosa que procurou o camping mais próximo pra gente, ligou lá e agilizou tudo, quanta gentileza. Nessa brincadeira foram 75 km de rolé. O camping era de Furadouro e valeu a pena.

11/06/14 – 28km. Cidade do Porto! Que coisa maravilhosa, casinhas muito antigas e no morro, umas em ruínas, outras preservadas. Só sei que a cidade é deslumbrante. Decidimos que valia a pena investir 2 dias num hostel. Ficamos no Residencial Cristo Rei, recomendo. Já que estamos em Porto, nada mais justo que tomarmos um vinho do Porto em algum beco lindo da cidade. Quando voltamos, fizemos amizade com uma sul coreana (Hyeonae), uma alemã (Sophia) e um francês (Daniel). Não falamos inglês, mas rolou a comunicação. Quando se esta levemente alterado a gente perde a vergonha e fala o que souber pra poder se expressar, dá certo e muito. Agora engraçado mesmo era o recepcionista da noite, o Antonio, não parava de rir com ele, muito comédia, zuava sem parar. Que vibe boa.

 

12/06/14 – Dia dos Namorados. Lembrei disso ontem, não havíamos planejado e coincidiu de passarmos esse belo dia em Porto. Que presente! Comemos no Mc Donald`s, é muito gostoso aqui também. Adoro! No fim da tarde, fomos conhecer o casal Leo e Patrícia que são do Warmshower (comunidade de troca de hospitalidade gratuita para cicloturista). Eles iam hospedar a gente, pena que ja tinhamos fechado com o hostel. Mesmo assim fomos lá conhecer eles, que fizeram um jantar delicioso para nós e nos deram dicas preciosas de cicloviagem. Muito obrigada, casal gente boa! Ah sim, assistimos o jogo do Brasil, Copa do Mundo, ganhamos, eba!

13/06/14 – Rumo a Vila do Conde. O Luis nos esperava. Luis encontrou a gente através da página do Michel: https://www.facebook.com/rodandopelomundo, ele adorou nossa história e fez questão de nos hospedar em sua casa, através do Warmshower também, fomos seus primeiros hospedes e ele foi nosso primeiro hospedeiro. Chegando lá nos tratou com muito carinho, nos levou pra passear pela cidade toda, sem contar as superdicas que nos deu. A cidade fica há uns 30 km de Porto e é lindíssima, com inúmeros tipos de esporte pra fazer, sem contar a linda praia. Para jantar nos levou pra comer a famosa francesinha, um prato típico do Porto (é como se fosse um sanduiche com um molho especial rodeado de batatas fritas) ai, ai, ai, preciso nem comentar se gostamos. Foi uma noite muito agradável, estavam também o irmão do Luis, Miguel, sua cunhada Raquel e seu sobrinho Bernardo. Luis, não sabemos nem como agradecer, você foi extremamente legal com a gente. Muito obrigada! Tomara que nos encontremos pela estrada da vida. Na última noite que dormimos em Portugal, arrumamos um diocamping muito estranho. Acho que o pessoal ia por ali para fazer coisas escondidas. Não dormimos muito bem.

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